O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".
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quarta-feira, 22 de junho de 2022
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Ou seja, "a finança comeu a política"
O filósofo francês Dominique Wolton concluiu: "a finança comeu a economia e a economia comeu a política". Ou seja, se A é superior a B e B superior a C, logo, A é superior a C. É este o problema que se tem colocado nas eleições presidenciais nos EUA. Hillary Clinton está, como todos os políticos do sistema, tão ligada a um A que caiu em desgraça com a crise financeira de 2008, que qualquer Trump mantém a expectativa em relação ao resultado final. Mesmo que Hillary Clinton vença, como se deseja, Trump alarga um perigoso caminho. Há uma relação directa entre finança e tecnologia que explica estes fenómenos. Dominique Wolton "anda irritado com a aldeia global, dominada pela ditadura da tecnologia, denuncia as indústrias imperialistas do século XX" e alerta: "Se quisermos salvar a democracia, é preciso que a política regule a técnica". Não sei se Hillary Clinton tem desprendimento para o desafio, já que a "sua" finança, que comeu a técnica, comeu a "sua" política.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
da meritocracia
O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel (leio que é "o maior filósofo vivo), em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".
sábado, 22 de março de 2014
a sociedade de mercado
"A sociedade de mercado" é o título da crónica de Vasco Pulido Valente no Público. Dá ideia que este outrora deputado pelo PSD acordou para a realidade ao interrogar os leitores se "Já leu o livro “O que o dinheiro não pode comprar” (não sei se está traduzido em português)? Se não leu, leia. O livro é de Michael J. Sandel, professor de Harvard e, segundo dizem, “o maior filósofo vivo”. A tese de Sandel é simples e coincide com o espírito do tempo: há valores que o mercado diminui ou perverte.(...)"
É exactamente essa perversão que os privados da Educação que se financiam no Estado não param de executar, com o habitual chico-espertismo, através da “(...)promessa de soluções milagrosas para o insucesso escolar dos filhos e de os preparar para o exame de inglês do Cambridge, utilizando técnicas de marketing irresistíveis, os pais assinam quase de cruz um contrato de fidelização de 36 meses(...)".
sexta-feira, 12 de abril de 2013
modelos e falácias
O modelo em curso de radicalismo ideológico tem sido aplicado por esse mundo fora, embora seja a primeira vez que há uma intervenção do FMI sem a possibilidade de desvalorização da moeda. É evidente que nem todas as intervenções do FMI tiveram esse cunho ultraliberal.
Muitos dos adeptos da ideia de Estado mínimo referem-se com desprezo aos saberes das humanidades. É pena e ainda por cima dá a sensação que o argumentário não se fica pelos descomplexados competitivos instantâneos.
Se aplicassem aos seus modelos os princípios que Gaston Bachelard, em meados do século passado, estabelecia para a utilização de sistemas filosóficos, talvez imperasse mais humildade e não estaríamos decerto no estado de sítio actual.
Gaston Bachelard (1976:7). "Filosofia do Novo Espírito Científico".
Biblioteca de Ciências Humanas. Editorial Presença. Lisboa.
terça-feira, 9 de abril de 2013
dos cortes nos salários
Alguns adeptos das actuais políticas do Estado mínimo invocam o liberalismo e Adam Smith para fundamentarem que a queda dos salários é uma consequência do empobrecimento da sociedade.
Era bom que remetessem para os "soldados" do Goldman Sachs a tese que indica a obrigatoriedade da queda dos salários para que o empobrecimento da sociedade possa ser sustido e mais tarde contrariado. A queda dos salários tem de ser acompanhada da queda dos lucros e das rendas e, naturalmente, por uma perigosa deflação.
Já Adam Smith via a queda dos salários como um decisão circunscrita às leis e à política e sem relação directa com o empobrecimento da sociedade. Se analisasse o que se passa em Portugal seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: há uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento. A queda dos salários está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP ou as PPPs e por aí fora). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.
Adam Smith (2010:171) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
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