Do blogue "O Meu Quintal" do Paulo Guinote.
Quando o Fact-Checking Precisa de Fact-Checking
O post inclui o seguinte quadro da publicação Perfil do Docente para 2015-16:

Do blogue "O Meu Quintal" do Paulo Guinote.
Quando o Fact-Checking Precisa de Fact-Checking
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Nos momentos sobreaquecidos, há sempre órgãos de comunicação social (mesmo os tais de referência) que cedem aos títulos com oportunidade; digamos assim, claro. A notícia em imagem pode ser lida aqui, embora o título e o subtítulo expliquem a tal oportunidade.
Resumamos em números redondos: aos 97.000 professores do quadro acrescentaram-se 7.000 professores das vinculações extraordinárias e 15.000 professores contratados. Como há entre 12.000 a 14.000 professores com baixa médica que requer substituição, os números totais devem ser desagregados para serem bem explicados. Para além disso, há professores com mais do que um contrato porque são colocados em horários incompletos e, em muitos casos, leccionam no número necessário até completarem o horário (e ensandecerem pelo caminho). E chega que o mais do mesmo cansa.
Barroso queixou-se porque as agências de raiting não mudam a classificação de Portugal com o regresso aos mercados. Como essas agências são muito prospectivas, devem ter considerado que com Nuno Crato no MEC a nossa pontuação passaria para um duplo HÁ e o H (de Homem, de Honestidade, de Honradez e por aí fora) não faz parte da nomenclatura.
Amanhã há greve e há exame. É mesmo triste e quase diabólico que tudo o que o nosso país conseguiu, com o esforço de tantos, nas últimas décadas no sistema escolar se vá desmoronando às mãos do radicalismo ideológico do estado mínimo e que se afirmou para além da troika.
Quando li que "Passos diz que as novas medidas não se aplicam "à generalidade" dos cidadãos" pensei: não tarda muito e está a afirmar qualquer coisa como "Portugal precisa de menos professores". Dá ideia que os governos "entretém" as pessoas com outros alvos para acabarem nos do costume. Há anos a fio que é assim. Veremos o que dizem os senadores da direita e da esquerda.
Por mais que se saiba que a redução da natalidade está ainda longe de influenciar o número de alunos no curto e no médio prazos, que houve um aumento do número de alunos por turma associado à redução curricular e a uma gestão escolar única no mundo conhecido, que temos ainda uma percentagem, que nos envergonha, de pessoas que não concluem o ensino secundário e mesmo o 3º ciclo, o primeiro-ministro faz estas afirmações na linha das conclusões do indizível relatório FMI.
Enquanto o novo primeiro-ministro italiano diz que se demite se o obrigarem a fazer mais cortes na Educação, em Portugal o primeiro-ministro mentiu em campanha eleitoral com promessas que fez nesse sector (na avaliação de professores era a custo zero) e, por incrível que pareça, o ministro da Educação e ciência está sempre pronto para cortes, chega a argumentar com estudos que só ele conhece no que se refere ao aumento de alunos por turma e corta em disciplinas da área das humanidades e das artes como quem muda de camisa.
E nem o factor financeiro serve de argumento para ajustar as mentes dos para além da toika. Se no número de professores já estamos quase em 1973, os outros indicadores aproximam-se vertiginosamente. Tudo isto fundamenta o que sempre se soube: o que demora a construir pode ser destruido num período temporal muito mais curto.