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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Não se é, aos 10 anos de idade, um génio da informática

Antes do mais, não é por as crianças e os adolescentes passarem horas nas redes sociais, ou em jogos digitais, que desenvolvem competências informáticas que não sejam da óptica do utilizador (que também têm alguma importância no âmbito da vida moderna, obviamente) e do consumidor que interessa às gigantes tecnológicas. E neste debate não se pode esquecer os efeitos negativos para a saúde, nem a exposição ao ciberbullying, aos conteúdos de ódio, racismo e misoginia e à pornografia online.
As crianças e adolescentes podem até teclar, ou fazer scroll, a uma velocidade impressionante num smartphone ou num tablet, mas as competências informáticas de análise e programação exigem anos de estudo, conhecimentos sólidos das áreas a que se destinam e maturidade.
Foi, portanto, com estupefacção que se percebeu que há uma deputada da IL que quer um Big Brother a nomear os professores grevistas (deve ser em tempo real, porque a falta por greve é, desde sempre e como todas as outras, registada pelos serviços) e que acha inglório restringir o acesso das crianças e dos adolescentes às redes sociais. Considera-os, nomeadamente os "filhos e sobrinhos dos deputados", uns génios da informática logo aos 10 anos - "e de olhos fechados", diz a senhora deputada. Diz que contornarão com toda a facilidade as restrições ou optarão pela dark web.
Ou seja, fez a pergunta que pode ler na seguinte passagem do meu último texto no Público:


E fez as seguintes declarações, na sessão parlamentar sobre as restrições no acesso às redes sociais por menores de 16 anos - em que a IL e o Chega foram, naturalmente, os únicos que votaram contra, o PSD, PS, PAN e JPP votaram a favor e o PCP, Bloco, Livre e CDS abstiveram-se (é uma peça do DN):

sábado, 22 de junho de 2024

Pelo Parlamento na discussão do Projecto Maia

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A delegação de peticionários: Ricardo Silva, Dália Aparício, João Aparício e Paulo Prudêncio. O Paulo Guinote e a Eulália Paulo não puderam acompanhar.

 

Estive (21 de Junho de 2024) pelo Parlamento na discussão do Projecto Maia. Acima de tudo, importa concluir que os partidos do "pacto de regime para a Educação" - que vigora desde os primórdios deste milénio para as questões essenciais e que é responsável pela queda da escola pública e pela estagnação dos notáveis progressos na Educação preparada nos 30 primeiros anos da democracia -, nada aprenderam, nem sequer com a falta estrutural de professores. A questão nuclear centra-se na desconfiança nos professores assente num inferno burocrático, e que dá asas ao clima escolar vigente.

 

Como várias vezes escrevi, trata-se de uma espécie de inversão do ónus da prova. Resumidamente, desde que há escolas que os professores sabem que prestam duas contas a qualquer momento: como gerem o programa da disciplina que leccionam e como avaliam os alunos. A espécie de inversão do ónus da prova foi o sinal máximo da desconfiança e do inferno da burocracia e a súmula da proletarização.

 

Se um professor necessita de 7.500 descritores para avaliar um aluno, ou de registar duas centenas de feedbacks por aula, é um problema seu. Se necessita de formação contínua para o realizar, volta a ser um problema seu. O que não é admissível, é que o queira generalizar e impor nas organizações, ainda por cima sem qualquer software moderno de tratamento da informação, e que o poder central estimule e verifique a aplicação.

 

No Parlamento, a petição MAIA discutida era clara. Veja o canal da Assembleia da República. O PS (as duas deputadas foram uma lástima), PSD e PCP fizeram figuras tristíssimas e o PAN, Livre, IL, BE e Chega não.

 

Estive por lá mais de duas horas. Os deputados deste último partido portavam-se de modo mal-educado e ruidoso. Como alguém disse, "são especialistas em vitupérios".

 

Assim, não vamos lá em relação à recuperação do exercício de professor.