Boa parte dos liberais que defendem a liberdade de escolha da escola fazem-no convencidos que é um contributo decisivo para a igualdade de oportunidades e para existência de projectos educativos diferenciados de ordem confessional, por exemplo. Os principais argumentos são conhecidos: a escolha da escola é um indicador de liberdade, aumenta a competitividade entre escolas em benefício dos alunos e permite aos mais desfavorecidos a escolha de escolas melhores e mais exigentes.
Estes liberais defendem soluções como o cheque-ensino ou o financiamento de acordo com o número de turmas ou de alunos e nunca a privatização total com o pagamento de propinas. Contestam a frequência escolar com base em critérios geográficos, familiares ou de ordem pedagógica definida pelas autoridades escolares.
As já vastas experiências contrariam os liberais e provam exactamente o contrário. Como não existem escolas com vagas ilimitadas, a liberdade de escolha favorece a formação de grupos sociais de acordo com os estatutos existentes e acentua a guetização dos mais desfavorecidos. Os grupos sociais mais "fortes" estabelecem laços de forma a homogeneizarem a frequência das escolas entre os pares e estimulam a "auto-exclusão" dos mais "fracos".
A liberdade de escolha acentua a dicotomia entre escolas para ricos e escolas para pobres.
Os sistemas como o português devem ser aperfeiçoados uma vez que a letra, e mesmo o espírito, da lei é ultrapassada pelos mais "fortes" e conduz aos resultados das políticas pretendidas pelos liberais. Contudo, os modelos como o nosso garantem a necessária miscigenação dos grupos sociais, combatem a guetização e, como se comprova, ajudam a eliminar o abandono escolar. São um bocado como a ideia de democracia: o melhor modelo conhecido apesar das imperfeições.
Comecei o post com a expressão optimista de "boa parte dos liberais". É que há outro grupo de liberais, os ultraliberais, que apenas se concentra na privatização de lucros a todo o custo das verbas dos orçamentos de estado. Se é maioritário ou não é difícil de perceber, mas que anda muito dissimulado pelo arco do poder já é mais fácil constatar. A prática é eloquente e contaminaram há muito a agenda mediática, embora pareçam mais titubeantes em resultado da corrupção que já não passa despercebida.
Mouche... explicado... excelente
ResponderEliminarMuito bom Paulo Prudêncio!
ResponderEliminarExcelente malha. Desmontadinho.
ResponderEliminarExcelente explicação, concordo. Obrigada.
ResponderEliminarLimpinho... limpinho... limpinho...
ResponderEliminarAntónio Santos.
O comentador Pedro dirá que a liberdade de escolha racionaliza e que andámos a gastar demasiado em escolas públicas...
ResponderEliminarSe ao menos os Pais abrissem os olhos.
ResponderEliminarParabéns Prof. Paulo pela lição de história no debate. Ouvi dizer que esteve excelente como é habitual. Obrigado por tudo!
Atrasei-me :)
ResponderEliminarMuito obrigado a todos pelos comentários.
É evidente que os critérios dependem do objectivo que se pretende atingir. Habitualmente é referido o aproveitamento escolar. Mas, em Portugal (de acordo com o relatório PISA), uma criança de nível socioeconómico baixo tem três vezes menos possibilidades de atingir bons resultados em Matemática do que uma de nível socioeconómico alto e, assim, o critério dos resultados resulta numa estratificação pela origem social.
ResponderEliminarCreio, aliás, que é esse resultado que os defensores da chamada "liberdade de escolha" querem atingir. O argumento que usam é o da "promoção da competitividade" entre escolas, de onde decorreria "a melhoria do ensino". Propõe-se para isso que as escolas escolham os alunos. É, sem dúvida, a forma mais fácil, mais preguiçosa e também mais selvagem de "promover a competitividade". Qualquer liberal honesto dirá que se trata de um embuste.
Já nem a Suécia é o “exemplo” que foi no passado para os defensores da liberdade de escolha da escola. O ano passado viajei bastantes dias entre Malmo e Gotenburgo e pude constatar o quanto a Suécia se atrasou em relação aos seus países vizinhos, Escandinavos. Os próprios Suecos passaram de confiantes a pessimistas em relação às mudanças que operaram em meados de noventa (1995). A liberdade de escolha provocou a selecção social e piorou os resultados globais. Isso é inequívoco e dizem-no a cada passo. Nunca tinha pensado no assunto e fiquei surpreendido. O texto é pertinente.
ResponderEliminarO comentador Pedro ficou muito feliz por ter ouvido da boca do sr 1º ministro que os profs efetivos não iriam para a mobilidade especial. O comentador Pedro deve ter suspirado de alívio pois acredita piamente no sr 1º ministro. O resto da maralha não interessa para o comentador Pedro desde que o coiro dele esteja a salvo. O comentador Pedro é um escarro egoísta!
ResponderEliminarPeço desculpa ao Paulo Prudêncio mas tenho o coração perto da boca:)
Saudações nortenhas
Obrigado pelos comentários.
ResponderEliminarNada a desculpar.
ResponderEliminarSaudações também.
Boa tarde,
ResponderEliminarO seu post esteve em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.
Atenciosamente,
Catarina Osório,
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Outra vez Catarina Osório?
ResponderEliminarMuito obrigado.