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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Quando 28=82

 


É inaceitável, e em qualquer ponto de vista, que dirigentes escolares com salários pagos pelo erário público, funcionários públicos ou não, escolham alunos com base nos resultados escolares esperados. Se nos privados - falta saber se são privados financiados pelo estado - 82% dos alunos são escolhidos com esse critério, os 28% nas escolas públicas não é menos chocante.



"28% dos alunos frequentaram escolas públicas que usaram notas como critério de admissão. Nas escolas privadas, o número de alunos onde os directores admitem usar este critério dispara para 82%. Relatório da OCDE com dados do PISA 2015 é lançado nesta quarta-feira.(...)"



 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

dos problemas com a escolha da escola - quem diria

 


 


 


 


"Os decisores políticos que promovem a escolha da escola, vendem a ideia de que isso se faz como consumidor individual e não como cidadão. Como cidadão, uma pessoa responsabiliza-se pela escola pública local; apoia-a e orgulha-se com as suas realizações. O cidadão vê-a como uma instituição da comunidade digna do seu apoio, mesmo que não tenha filhos na escola. O cidadão pensa na escola pública como uma instituição que educa os cidadãos, os eleitores futuros, os membros de sua comunidade. Se a escolha da escola se torna a base das políticas públicas, a escola deixa de ser uma instituição comunitária para passar a atender às necessidades dos seus clientes."


 


 


O parágrafo que acabou de ler é de Diane Ravitch, ex-secretária de Estado na administração do Bush mais crescido, bem à direita em "Reign of Error: The Hoax of the Privatization Movement and the Danger to America's Public Schools" (qualquer coisa como: o reinado do erro: A farsa do movimento de desestatização e o perigo para as escolas públicas da América).


 


Encontrei-o por aqui e pode lê-lo no original na imagem seguinte. Quem diria, realmente, que uma pessoa como Diane Ravitch concluiria que cidadania, comunidade, educação e eleitores futuros são ideias não compatíveis com clientes e consumidores.


 



 


 

terça-feira, 4 de junho de 2013

a escola e a liberdade de escolha

 


 


 


 


Boa parte dos liberais que defendem a liberdade de escolha da escola fazem-no convencidos que é um contributo decisivo para a igualdade de oportunidades e para existência de projectos educativos diferenciados de ordem confessional, por exemplo. Os principais argumentos são conhecidos: a escolha da escola é um indicador de liberdade, aumenta a competitividade entre escolas em benefício dos alunos e permite aos mais desfavorecidos a escolha de escolas melhores e mais exigentes.


 


Estes liberais defendem soluções como o cheque-ensino ou o financiamento de acordo com o número de turmas ou de alunos e nunca a privatização total com o pagamento de propinas. Contestam a frequência escolar com base em critérios geográficos, familiares ou de ordem pedagógica definida pelas autoridades escolares.


 


As já vastas experiências contrariam os liberais e provam exactamente o contrário. Como não existem escolas com vagas ilimitadas, a liberdade de escolha favorece a formação de grupos sociais de acordo com os estatutos existentes e acentua a guetização dos mais desfavorecidos. Os grupos sociais mais "fortes" estabelecem laços de forma a homogeneizarem a frequência das escolas entre os pares e estimulam a "auto-exclusão" dos mais "fracos".


 


A liberdade de escolha acentua a dicotomia entre escolas para ricos e escolas para pobres.


 


Os sistemas como o português devem ser aperfeiçoados uma vez que a letra, e mesmo o espírito, da lei é ultrapassada pelos mais "fortes" e conduz aos resultados das políticas pretendidas pelos liberais. Contudo, os modelos como o nosso garantem a necessária miscigenação dos grupos sociais, combatem a guetização e, como se comprova, ajudam a eliminar o abandono escolar. São um bocado como a ideia de democracia: o melhor modelo conhecido apesar das imperfeições.


 


Comecei o post com a expressão optimista de "boa parte dos liberais". É que há outro grupo de liberais, os ultraliberais, que apenas se concentra na privatização de lucros a todo o custo das verbas dos orçamentos de estado. Se é maioritário ou não é difícil de perceber, mas que anda muito dissimulado pelo arco do poder já é mais fácil constatar. A prática é eloquente e contaminaram há muito a agenda mediática, embora pareçam mais titubeantes em resultado da corrupção que já não passa despercebida.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

queriam depressa e bem?

 


 


 


 


 


Por mais que se diga, e com estudos que o comprovam mesmo, que os resultados num sistema escolar são a médio e longo prazos, os "apressados" que nos governam a partir do poder financeiro não sossegam enquanto não deitarem mão à fatia maior do orçamento da Educação através da lógica de má PPP. Conhece-se a receita-da-privatização-tout-court que inclui a escolha da escola.


 


O relatório de inverno do BdP remete o Governo para um plano C (fugir é sinónimo de cavar).


 


Tem conclusões polémicas na Educação, uma vez que o sector anda a "desengordurar" como nenhum outro desde 2006 e talvez os indicadores estudados sejam de 2009. Há uma recomendação que é antiga e que não entra nestas séries: “uma maior escolha pode aumentar a segregação, levando a uma maior concentração dos bons alunos em certas escolas”. É verdade. Em Portugal, a escolha da escola é intensa, antiga, segrega bastante e acentuou-se nos últimos anos (tenho ideia que regredimos).


 


Despesa na Educação continua a reflectir-se pouco nos resultados escolares


 


"(...)Por outro lado, concluem que “as escolas tenderão a agravar a desigualdade no desempenho nas regiões mais desenvolvidas”, o que poderá estar relacionado com "uma maior oferta de escolas". Assim, indicam, “uma maior escolha pode aumentar a segregação, levando a uma maior concentração dos bons alunos em certas escolas”.(...)"




No relatório da OCDE, Education at a Glance 2102, os estudos têm, na página 88, uma curiosidade que nos coloca pela única vez no lugar cimeiro. É fundamental ir ao relatório e ler o capítulo que tem diversos gráficos. No caso que escolhi, e que é sobre o desempenho na leitura de alunos com mães com baixa escolaridade, alunos imigrantes e alunos imigrantes que falam outra língua em casa, somos o país que revela uma menor concentração de alunos que têm mães com baixa escolaridade no quartil acima dos 75% a par de outras evidências.


 


 



 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

escolha da escola e segregação

 


 


Andamos há anos a dizer que em Portugal se escolhe as escolas e que a segregação social é a consequência mais evidente dessa possibilidade. Como as escolas têm limites de vagas, as famílias mais informadas e capazes de influenciar vão segregando socialmente, com ou sem intenção, os grupos de alunos. A organização do território faz o resto. Mas se for dito por alguém de fora, parece que tem outra credibilidade.


 


 




Encontrei o vídeo neste post do Paulo Guinote.

sábado, 12 de novembro de 2011

segredos do estado em que estamos

 


 


O segredo é total e noticiado? Como? Está tudo desorientado e resta alguma diversão. A imprensa de referência compete com as contas do país nos rankings da incredibilidade. E a coisa piora quando chama à primeira página uma irrelevância para a Educação em 2012. Cortei o resto por uma questão de higiene mental.


 


 


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

escolha da escola

 


 



 


 


O DN, na última página da edição impressa de hoje, publica uma entrevista do professor sueco Mats Björnsson que participou nesta conferência na Fundação Calouste Gulbenkian. O jornalista destacou a frase "(...)o risco de segregação social num sistema com maior liberdade de escolha (entre escolas públicas e privadas) é óbvio(...)". Há muito que se sabe que é assim e Portugal não foge a essa condição. Mas como não somos capazes de criar o nosso modelo nem de valorizar a nosso conhecimento, passamos a vida a adoptar receitas ou a cair na armadilha de alimentar a chico-espertice que nos conduziu à bancarrota.


 


Há dias o governo beneficiou doutra epifania euroziana e ameaçou com a liberdade de escolha da escola para 2012. Analisei a irrelevância assim: "(...)O nosso sistema escolar precisa, em primeiro lugar, de uma sociedade melhor, que elimine a guetização de várias comunidades, que pense nos horários de trabalho das pessoas que querem ter filhos sem os armazenar, que discuta a qualidade de vida dos miúdos quando não estão na escola e que encontre soluções para os graves problemas de mobilidade nas grandes zonas urbanas. Há muito que os encarregados de educação mais influentes escolhem as escolas. Na maior parte do país é assim. Os menos influentes não têm condições para o fazer; muitas vezes nem sequer vontade. E não é agora que vão ter melhor informação para tomarem essa decisão. Por outro lado, as experiências conhecidas indicam a auto-selecção das populações no sentido de que a guetização social se prolongue para dentro das escolas com os efeitos negativos associados; com estas medidas pode aumentar a fatal homogeneidade das turmas.(...)"


 


Mas já se sabe. Quem contraria o pensamento único que domina e afunda o mundo em que vivemos é corporativista e esquerdista radical. A história do sistema escolar português tem vários exemplos de excelência e não nos deve envergonhar. O seu desempenho, qualitativo e quantitativo, recomenda-se se se considerarem os meios disponíveis. Os excessos de despesa com as pessoas, com a privatização de lucros e com o bato-bravismo é mais do domínio da ciência-que-estuda-a-caça-aos-votozinhos,-a-bancarrota-e-os-casos-de-polícia; e essa sim: deve envergonhar-nos.