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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Sublinhados

 


Quem analisa criticamente a lei da inclusão ou o fim das reprovações é, desde logo, objecto de uma acusação: não é progressista e discorda da igualdade de oportunidades. Esse risco é subalterno se a intolerância vier duma ala mais clubista. Mas o assunto será diferente se tem origem no legislador ou em quem o influencia directamente. É precisamente por isso que se temem maiorias absolutas de um partido. Como sugeriu o PM, as máquinas partidárias são imprevisíveis e muitas vezes incapazes de ouvir e aceitar o contraditório.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Filhos de um Deus Menor

 


É com perplexidade que se assiste ao discurso exclusivo de arautos da recente inclusão escolar. Não é uma surpresa. Já se detectavam sinais de absolutismo consubstanciados na ideia de que "agora chegaram os deuses". Claro: tudo o resto são filhos de um deus menor.

domingo, 19 de maio de 2019

Infelizmente Não Há Luar!

 


 


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O crescimento económico ainda não será a "maré enchente que fará subir todos os barcos" e usemos a escola como exemplo.


Quem inscreve a ambição escolar da família, e ainda um bom estatuto sócio-económico, aprende em qualquer sistema e com mais ou menos interdisciplinaridade ou exames. "Só" precisa de currículos sensatos e de aulas exigentes. Esses, sempre integraram o "primeiro mundo". O nosso eterno problema é elevar os que "não querem aprender". O fenómeno atenua-se quando diminui a pobreza. As escolas só ajudam se forem inclusivas para alunos, professores e restantes profissionais (leu bem). Mas não é suficiente. O interesse dos alunos exige a supremacia da docimologia (e dos vários, e não hierarquizáveis, modos de ensinar) e da aprendizagem de conhecimentos e atitudes, onde se inclui a autonomia e a responsabilidade. É um processo com inúmeras variáveis. Exige tempo, requer uma atmosfera moderna (alunos por turma e por aí fora), é difícil e tem as mesmas exigências da educação para a democracia: ambiente democrático sem hesitações. Esta semana, conheceram-se duas conclusões (OCDE) chocantes: "28% dos alunos frequentaram escolas públicas que usaram notas como critério de admissão (sobe para 82% nas "privadas" e nas privadas); Portugal, que tem dois milhões e meio de pobres (500 mil crianças) em 10 milhões de habitantes, está entre os países "que têm mais colégios só com “gente rica”".


Como tudo se relaciona, a indecência continuou a diferenciar a injecção financeira nos bancos do caso da nação (tempo de serviço dos professores). Recapitulemos: as duas rubricas entram no OE, contribuem para o défice e financiam-se nos impostos; os banqueiros e os grandes empresários são menos confiáveis financeiramente do que os professores porque estes pagam impostos pontualmente e sem mácula; somos o único país que ainda financia o desvario bancário que eclodiu em 2007 e que se deveu à corrupção; os mais de 20 mil milhões de euros injectados na banca são equivalentes ao financiamento estrutural de todo o tempo dos professores durante 60 anos.


Só que Portugal não escapa à condição de "protectorado". É o estatuto das nações que têm uma dívida astronómica e pouco poder. Para os credores externos não interessa se foi por causa da corrupção. Essa, é paga pelos "credores" internos como os professores. Aliás, a voz dos implacáveis e poderosos credores externos sentenciou por estes dias e com todo o desplante: "FMI prevê défice zero em 2020, mas avisa contra grupos de pressão despesistas.(...)" E lembrei-me da fotografia em que captei a estátua de Dante Alighieri (o poeta florentino nascido no século XIII, que viajou pelos nove círculos do inferno, pelo purgatório e pelo paraíso) a servir-nos a luz de uma lua que terá iluminado dois séculos depois o voador Leonardo da Vinci e o realista Nicolau Maquiavel. O segundo prevaleceu. Olharia para o estado vigente e concluiria que infelizmente não há luar!


Imagem: Piazza Dante, Nápoles, Abril de 2019.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Substituir os rankings pela inclusão

 


 


 


Substituir os "rankings pela inclusão como a medida principal na avaliação externa das escolas", como diz o Público, é uma decisão que só peca por tardia. Há muito que se sabe que "os resultados dos alunos em exames não avaliam escolas". Mas não basta substituir. É necessário incluir três variáveis inquestionáveis: a inclusão é, antes de mais, uma obrigação da sociedade e só será bem sucedida na escola se se dirigir a todos - alunos, professores e outros profissionais - e se a avaliação externa estimular a desburocratização. Já temos história suficiente para perceber que foi a hiperburocracia (e a desconfiança nos professores) que provocou o instabilidade de programas de inclusão e a documentada exaustão de todos; alunos também. Simplificando: quantos professores leccionam turmas do 8º ano? Qual é, hoje, o saldo orçamental da escola e em modo digráfico? Se uma escola não tem respostas deste género à distância de um clique, nem vale a pena continuar a avaliação externa.


Mas esta substituição remete-nos para um dos fenómenos escolares mais chocantes da última década. Os rankings "estimularam" a exclusão de alunos de quem se esperava fracos resultados académicos (incluíndo os da educação especial). O choque foi da responsabilidade de profissionais pagos integralmente pelo orçamento de estado em escolas públicas ou nas tais "privadas". Espera-se que esta substituição atenue o fenómeno.


 


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terça-feira, 1 de junho de 2010

há quem não cruze os braços

 



 


Foi daqui


 


 


 


Tenho escrito muito sobre a ausência de sociedade no combate às desigualdades escolares. Por mais voltas que se dê à organização do sistema escolar, o nível socio-económico da população é determinante para o sucesso escolar e educativo. Desde há muito que se sabe que a escola é incisiva em cerca de 10 por cento desse objectivo, cabendo nessa pequena parte uma fatia significativa aos professores.


 


O que impressiona em Portugal são os permanentes sinais de desinteresse escolar e de "abandono" familiar logo nos primeiros anos de escolaridade. E ninguém é responsável; ninguém mesmo. Talvez umas ameaças, justas ou injustas, em relação ao rendimento social de inserção e nada mais.


 


Já o enunciei e volto a fazê-lo: se a nossa babilónica divisão administrativa só considera claramente dois níveis, o central e o local, então que se responsabilize os concelhos por esta tragédia anunciada. A não ser assim, as turmas de currículos alternativos e os cursos de educação e formação continuarão a proliferar em cada geração como uma espécie de parque de estacionamento dos centros de emprego e formação profissional e dos serviços prisionais.


 


Há quem faça qualquer coisa no sentido positivo; o que pode ler aqui é significativo.