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quinta-feira, 18 de julho de 2024

"Alunos do 4.º e 6.º anos vão passar a fazer provas de “monitorização da aprendizagem”"

Os sucessivos governos nomeiam governantes para a Educação que se entretêm a mudar o calendário das provas dos alunos. O essencial é imutável. É o pacto de regime que vigora para a Educação desde o início do milénio. À esquerda as provas são a meio do ano lectivo e à direita no final. Ou seja, foi fatal desconfiar dos professores na sociedade da informação e do conhecimento; mas, sem isso, não seriam proletarizados.



"Alunos do 4.º e 6.º anos vão passar a fazer provas de “monitorização da aprendizagem”. Provas de aferição nos 2.º, 5.º e 8.º anos vão ser substituídas por provas de “monitorização de aprendizagem” no 4.º e 6.º anos. Provas serão feitas em formato digital, incluindo as do 9.º ano."



 

terça-feira, 7 de junho de 2022

O Inspector Foi à Escola

Trouxe do blogue do Paulo Guinote, "O meu quintal".



"O inspector foi à escola


(…)


Vamos lá operacionalizar isto.


De cada vez que cada um dos 129 alunos da professora Joana resolve um item, ela vai escrever 129 pequenos textos que ajudem cada um dos seus alunos a perceber se cumpriu a tarefa com sucesso, se a cumpriu com algum sucesso, se tem de se esforçar e estudar um pouco mais ou se está completamente perdido relativamente àquele assunto, tudo isto acompanhado pelos respetivos smiles, desde a boca com a concavidade voltada para cima e os olhos a brilhar até ao esgar mais furioso, com os dentes a ranger, passando pelo estimulante piscar de olho, já que os coraçõezinhos não serão apropriados na relação professora-aluno.


Imaginando que a correção minuciosa da tarefa, a produção do pequeno texto descritivo e a busca do smile apropriado pode levar uns 15 minutos por item, que um teste de avaliação pode ter dúzia e meia de itens, que se fazem vários testes de avaliação por ano, nunca menos de meia dúzia (mas que, segundo as orientações superiores, devem ser muitos e frequentes), não sobra tempo para a senhora professora Joana escovar os dentes.


(…)


Em suma, o que durante séculos bastou para os alunos compreenderem em que nível se situava o seu desempenho, que era o feedback constante dado no decorrer das aulas e a nota atribuída pelo professor nos instrumentos de avaliação, agora não é suficiente. Vossas Excelências consideram que os atuais alunos, que andam muito distraídos com as “redes”, não conseguem compreender o que é um 31%, depois de, insistentemente, o professor o chamar à atenção para o fraco desempenho nas aulas. Talvez haja alguns para os quais 31% é suficiente. Então, cabe ao professor explicar, bem explicadinho e por escrito, que 31% é um nível insatisfatório, que o aluno tem de estar com mais atenção nas aulas, sem telemóvel, que tem de praticar mais, que deve trazer sempre o manual e o caderno diário, caneta, lápis e borracha, em vez de, como já aconteceu várias vezes, aparecer de mãos a abanar, pedir uma folha solta ao colega do lado, e ficar à espera que alguém tome a iniciativa de lhe emprestar uma esferográfica (se é que pretende escrever alguma coisa).


(…)"


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Um imperativo com duas décadas

 


 


 


 


Cresce a apreensão com o silêncio sobre a plataforma digital única para o sistema escolar (a E-360). É um imperativo com cerca de duas décadas. Entretanto, continua a desordem da redundância com mais de vinte plataformas digitais. O tempo passa e a atmosfera acrescenta burnout aos profissionais que lançam informação, que se reforça com os dados não incluídos nas plataformas das empresas privadas. Mas mesmo os incluídos e devidamente tratados, como, por exemplo, os dos alunos, são "desconhecidos" por decisores e avaliadores, provocando a circulação infernal de ficheiros excel e word. É o tal mundo criativo da repetição e das inutilidades, estimulado a partir do poder central. É uma espécie de "brinquemos às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento e a proibição de outras plataformas nos serviços centrais. A avaliação externa (Inspecção-Geral) "penalizaria" os desvios das escolas, com saliência para a obtenção da informação nas aplicações do office ou equivalente e para a impressão de documentos; a administração pública tem já exemplos, como é notório com o portal das finanças que até lida com um universo muito mais complexo no cruzamento de dados.


 


(Já usei esta argumentação noutros posts;


há quase duas décadas :))


 


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quarta-feira, 5 de abril de 2017

o sistema escolar é ingovernável ou só proibindo?

 


 


 


Nota-se bem a presença do simplex dois na "papelada-a-menos-na-muita-papelada-a-menos-nem-sequer substituída-por-ficheiros-digitais" do IRS. E nota-se vontade de simplificar na administração pública.


No sistema escolar é o inverso. O ME exige, ou insinua, informação "impensada" que não é incluída nos programas das empresas de software escolar. Isso provoca a circulação infernal de ficheiros excel e word. É uma escalada sem paralelo. Proporciona também a roda livre escolar de quem "desconhece" que a obtenção de informação "pedagógica" tem exigências administrativas. É o tal mundo criativo da repetição de inutilidades. É uma espécie de "vamos brincar às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento. A avaliação externa "penalizaria" os excessos - e pontuaria as boas soluções - e não o contrário. O uso das muito boas aplicações do office da Microsoft, Word e Excel, deve ser proibido para a obtenção e circulação da informação "oficial" através de programas de email ou alternativos; não vai lá de outro modo. Uma decisão à francesa com os "emails-fora-de-horas". Quem não tem outra solução, ficaria sem a informação e concluiria que o fundamental da escola está longe desse universo.


 


Não é a primeira vez que uso alguns destes argumentos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

“Não existe uma escola que faça algo que não está escrito que não tenha a inspeção à perna”

 


 


A frase é de Joaquim Azevedo e está na agenda mediática. Há muitos que defendem que este ex-SE de Cavaco Silva (os ajudantes, segundo o chefe) acordou agora e acham sei lá o quê. Como já me habituei a este sono alternado dos nossos investigadores, comento o estudo com um post de 2 de Julho de 2009 (o muro que asfixia a escola e os professores); tem na coluna direita do blogue, a das etiquetas, inúmeros textos sobre o mesmo assunto e tem também um livro com o título "Por Precaução".


 



O muro que asfixia as escolas e os professores.


 


Quem quer que se meta na aventura de reflectir sobre o estado do sistema escolar português pode escolher os mais variados pontos de partida. A minha opção navega na história mais recente e concentra-se no tratamento da informação.


Podia optar por "sistema escolar por blocos". Mas o conceito de bloco da precaução torna mais inteligível o que quero exprimir e reforça duas ideias: é, como espero que se veja, o bloco que mais asfixia o privilégio de ensinar e contamina de modo decisivo os outros dois: o do ensino e o da organização escolar. 


Este bloco da precaução, que foi construído paulatinamente e que criou um muro de burocracia na gestão da informação escolar, é quase tão difícil de derrubar como foi o muro de Berlim.


O bloco da precaução caracteriza-se por um universo informativo que é obtido apenas para arquivo e que existe porque está determinado de modo central através das invenções técnico-pedagógicas do ministério da Educação. E é aqui que encontramos um imenso elenco de invenções burocráticas: inúmeras actas e relatórios sem parâmetros indicadores de informação estruturante, projectos educativos impossíveis de avaliar, projectos curriculares de turma e de escola, definição de objectivos com variadas designações de acordo com os gostos e os feitios dos promotores de ocasião. A lista é interminável.


A institucionalização do bloco da precaução, e a sua aparente autoridade, parte dos serviços centrais do ministério da Educação (Inspecção-Geral como elemento central) e alastra-se de modo quase acéfalo à organização de muitas das escolas. As invenções burocráticas devidamente preenchidas são, por precaução, a única consciência profissional de muitos estabelecimentos de ensino; isso retira sentido de autonomia e de responsabilidade e gera fenómenos de subserviência e de medo.


Só assim foi possível verificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do arrastamento insuportável desta coisa sem pés nem cabeça. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor. Também por precaução se deixou de falar nisso.


 


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quarta-feira, 29 de junho de 2016

será ingovernável (3)?

 


 


 


ME exige informação "impensada" que não é incluída nos programas das empresas de software escolar. Isso provoca a circulação infernal de ficheiros excel e word. Torna-se doentio. Proporciona também a roda livre escolar de quem "desconhece" que a obtenção de informação "pedagógica" tem exigências administrativas. É o tal mundo criativo da repetição de inutilidades. É uma espécie de "vamos brincar às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento. A avaliação externa (Inspecção-Geral) "penalizaria" os excessos, e não o contrário, e o uso das muito boas aplicações do office da Microsoft.

domingo, 31 de março de 2013

avaliar escolas

 


 


 


 


Só em países propensos a bancarrotas é que se fazem rankings de escolas com uso exclusivo dos resultados de exames de alunos. São, digamos assim, países que se afeiçoam muito ao substantivo exclusão. As escolas com grupos de alunos com melhores condições económicas (escrito assim para abreviar) têm, em grande regra, melhores resultados. Os grupos que privatizam lucros dos orçamentos de Estado para a Educação sabem bem disso, conseguem impor esses rankings e arrastam consigo muita gente distraída e que confunde meritocracia com democracia (também escrito assim para abreviar). Os mais pobres ficam nas escolas do fim da fila que se vão guetizando e afundando (também escrito assim para abreviar).


 


Avaliar escolas é difícil, exige tempo, conhecimento e consolidação de processos. É muito mais do que os resultados dos alunos nos exames em algumas disciplinas. A denominada "avaliação integrada das escolas", que começou em Portugal em 1998, tinha potencialidades, mas um novo Governo apressou-se a terminar com o modelo quando, cinco anos depois, a maturidade dava os primeiros sinais positivos. Tem sido sempre assim, são raros os países onde se faz melhor e tudo isso ajuda a explicar a crise permanente da escola como organização em que Portugal passou a ser um estudo de caso pelo modelo de gestão que descobriu.


 


 


 


 



 


Parte de uma peça do Público de hoje da autoria de Clara Viana.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

da repartição

 


 


 


O grau de redundância afere a qualidade de uma cultura organizacional. A gestão da informação, como pilar fundamental, tem de considerar a repetição como a componente crítica a eliminar. Não há nada mais nefasto para o utilizador informado do que a inutilidade das tarefas.


 


São vários os exemplos que ilustram o baixo nível organizacional de uma escola: o encarregado de educação que disponibiliza o nome e o número de telefone no acto de matrícula e que sempre que participa numa reunião vê passar um papel onde é solicitada a inserção desses dados; o professor de educação especial que quando produz um documento público com um apoio educativo tem de digitalizar o nome do aluno; o professor director de turma que preenche os documentos inventados pela má burocracia (planos de recuperação ou projectos curriculares de turma, por exemplo) com repetição de dados que estão lançados numa qualquer base de dados. E podia ficar aqui o dia todo a apresentar exemplos. 


 


Um nome (de aluno, de encarregado de educação, de professor ou de funcionário) deve ser digitalizado apenas uma vez durante a sua permanência como  membro da organização. Deste simples exercício de avaliação pode retirar-se um mundo de conclusões.


 


 


 


(Parte deste texto foi publicado numa edição em 18 de Outubro de 2010)

segunda-feira, 7 de março de 2011

três

 


 



 


 


 


Se em relação ao ensino é muito difícil falar em conhecimento no que se refere à melhor forma de o exercer, já sobre a organização escolar deveria ser possível hierarquizar escolas de gestão; mas ainda estamos na estádio de pré-identificação. 


 


É comum dizer-se que 70% da actividade da nossa administração pública é para si própria. A informação circula dentro do Estado para que os diversos serviços se informem em duplicado ou em triplicado, como se não existisse público.


 


Na nossa cultura organizacional escolar começa a evidenciar-se a existência de três sub-sistemas, que são responsáveis por um volume insano de repetição e redundância de dados. O sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo acrescentam aos referidos 70% um número que deveria assustar uma qualquer ideia de sensatez. O mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia.