É nos mesmos centros cerebrais que se sente a beleza de uma equação ou de uma obra de arte. A conclusão tem tanto de óbvio como de justo e questiona mais uma vez os desmandos dos descomplexados competitivos que nos governam.
É justo para os matemáticos que tantas vezes assistem ao desdém dos "agentes culturais", mas é também uma lição para os que usam o preconceito que despreza a importância dos ensinos das humanidades ou das artes.
Não é por acaso que os jovens investigadores em ciências exactas atrasam o interesse por outras belezas enquanto se aborrecem com a incompreensão dos outros em relação às suas visões e sentimentos.
Também se compreende ainda melhor os que defendem que as lideranças nas organizações se caracterizam por um único exercício: discorrer a propósito de uma obra de arte.
Sempre me pareceram inapropriados entre adultos os comportamentos maternalistas ou paternalistas; mais ainda se exercidos por chefias (que, como se sabe, não são sinónimo de lideranças).
As relações profissionais ou políticas requerem critérios claros, procedimentos testados, sensatez, respeito mútuo e boa fé.
A badalada pieguice de Passos Coelho é apenas uma característica dos tempos pouco maduros que varrem a Europa. Só assim se explica que a ministra francesa tenha recomendado aos sem-abrigo que se mantenham em casa para se protegerem da vaga de frio.
Durão Barroso é da opinião que ninguém vai sair do euro e que a europa é uma potência emergente. Para o presidente da Comissão Europeia a união estará mais forte daqui a dez anos.
Percebo sinais positivos nos discursos europeus das últimas horas. Há quem diga que estão apenas a tratar da imagem. Se bem que isso seja importante no mundo em que vivemos, não é preciso invocar um qualquer guru da gestão para lembrar que uma boa imagem só prevalece se tiver correspondência num bom desempenho organizacional, na capacidade de antecipação e de inovação e na afirmação da liderança.
Se há potência emergente no mundo “essa potência é a Europa”, diz Barroso
"Esse animal tinha a anatomia de um burro, na parte da frente, e a anatomia de um cavalo, na parte de trás. Como estavam convencidos de que as duas partes de trás (de cavalo) eram bem mais rápidas que as patas da frente (do burro), cada gémeo queria montar a parte de trás do animal, deixando a parte da frente para o irmão. Cada um deles estava convencido de que, em viagem, chegaria primeiro o que estivesse montado sobre as patas mais rápidas."
Como notou Hart[1] (1991, p. 15), na gestão da informação das empresas de alto desempenho, os gestores parecem ser capazes de usar quadros de referência no apoio à tomada de decisão estratégica. São ao mesmo tempo mais engenhosos e incrementais, diretivos e participativos, controladores e delegadores, visionários e detalhados, no uso da informação.
[1] Hart, S. (1991) Intentionality and Autonomy in Strategy-Making Process: Modes, Archetypes and Firm Performances, Advanced in Strategic Manegement, vol. 7
A ausência de sala de aula afecta o nosso sistema escolar de uma ponta à outra; é mesmo a sua componente crítica. Vai derrotando o ensino e também a boa oxigenação societal através do poder democrática da escola. Voltarei a esta última asserção noutra altura.
Quando em 1998 se instituiu que a candidatura à gestão das escolas exigisse aos interessados a prova de experiência (com mandatos realizados) ou de sapiência (formação especializada) fui indagar a coisa junto dos mentores. A desculpa (sim, a desculpa, pesei bem a coisa) era mais ou menos esta: "os técnicos do ME viam-se às aranhas com os gestores neófitos que interrogavam amiúde o status quo; não podia ser: havia que os formatar convenientemente".
Depois de treze escolas, da presença numa coordenação de mais de quarenta, do exercício de quase todos os cargos que se pode exercer numa escola e de cerca de trinta anos de serviço, só encontrei lideranças em quem sabe de sala de aula e se afirmou como um exemplo de profissionalidade. O resto é apenas má burocracia. Alterar este estado de desorientação é o primeiro passo para mudar o que verdadeiramente conta.
(1ª edição em 25 de Janeiro de 2010)
A Lapa é um nome (já foi substantivo) feminino que designa um ser vivo pegajoso e que se cola de modo inconveniente segundo o ponto de vista de grande parte dos humanos. A zoologia classifica-a como um molusco gastrópode, de concha univalve, pertencente à família dos Patelídeos, utilizado na alimentação, que aparece com muita frequência preso aos rochedos do litoral, e que, quando grande, é denominado laparão.
É, realmente, mais da espécie Laparão que me estou a lembrar. Em sentido figurado é uma pessoa importuna e maçadora. Há vários tipos, mas em regra são nocivos. Os países e as organizações sofrem na pele com essas pragas. São indivíduos que aparecem nas instituições, que se colam e que raramente dão conta da função devastadora do seu exercício. Por norma, acabam isolados e sem qualquer aderência.
Quem ocupa lugares de chefia não sabe tudo nem pode desempenhar as tarefas todas: delega e aprende. Delegar é um exercício mútuo de confiança e de lealdade. Do seu sucesso resultará uma boa parte do êxito do mandato e da afirmação das lideranças.
A competência, a honestidade, a dedicação e o exemplo são condições essenciais ao desempenho. O exemplo mais penoso acontece quando a chefia não tem essas condições, delega sem delegar (quer assinar tudo e mais alguma coisa e nada se diz que se faz sem a sua aparente anuência) e quando a derrocada emerge no horizonte responsabiliza (tentando desresponsabilizar-se), sem frontalidade, membros da sua "equipa".
Conclui-se: não delega quem diz, mas quem sabe. Quem não sabe desconfia e não é fiável.
"Se o objectivo moral é a primeira tarefa, então as relações são a segunda, dado que sem elas não vamos a lado algum. No passado, se perguntássemos a alguém dentro de de uma empresa de sucesso o que tinha provocado o êxito, a resposta seria "As pessoas". Mas isso só é parcialmente verdadeiro: na verdade, são as relações que fazem a diferença".
Michael Fullan (2003),
Liderar numa cultura de mudança,
Edições ASA.

Lideranças e modelos de gestão têm, com quase toda a certeza, uma correlação que nos levará a encolher os ombros. Dito por outras palavras: quem lidera é capaz de o fazer em qualquer modelo, não há solução organizacional que faça o milagre da "multiplicação dos pães" e o líder escolar ou estimula o exercício das outras lideranças ou não existe.
E quais são as condições para que alguém se afirme numa liderança? Sabe-se muito pouco sobre o assunto. Para além disso, o reconhecimento das lideranças não está apenas registado nos indicadores que normalmente se medem mas no coração e no sentimento das instituições.
Haverá qualquer indicação genética dos ditos factores de personalidade e dos inúmeros modos de medir a inteligência. Haverá, seguramente, factores ambientais relacionados com a educação de cada ser e existirá uma dose insubstituível relacionada com a preparação para o cargo, com a vontade e com a capacidade em cumprir um projecto e com o reconhecimento e a aceitação dos outros.
Vou lendo uma ou outra opinião que manifesta estupefacção com a necessidade de se produzirem alterações no modelo de gestão em curso. O argumento mais usual prende-se com a saturação das mudanças sucessivas. É compreensível. Estamos cansados de tanta e apressada alteração.
Mas não foi também com essa saturação que se derrubou a injusta divisão na categoria dos professores ou o inferno burocrático da avaliação? E quais foram os argumentos favoráveis à mudança de 2009 no modelo de gestão escolar? O único conhecido é o que inscreve o combate à indisciplina. Um logro, como se adivinhava. Todos os estudos conhecidos apontavam em sentido contrário ao que se alterou, salvaguardando-se até o caderno eleitoral para a escolha do director que justifica uma composição muito mais alargada que a actual.
Há, todavia, várias questões que devem ser muito discutidas e que nunca o foram. Se muitas vezes o modelo que se segue é o empresarial, a categoria de liderança forte associada a uma hierarquia rígida e à nomeação sem eleição das lideranças intermédias é a mais repetida.
Ora nada disso é viável em ambiente escolar onde o topo da pirâmide é a sala de aula que é um espaço onde a categoria liderança se tem de exercer às centenas por hora. Também não é viável no processo de agrupamento de escolas em que cada um dos estabelecimentos de ensino necessita de uma coordenação legitimada e com autoridade democrática. Esta dispersão de exercício da autoridade não tem paralelo com o denominado modelo empresarial. E mais: se, por acaso, o topo da hierarquia escolar é ocupado por quem não reúne argumentos de liderança, o caos anuncia-se e os resultados podem ser desastrosos, facto que no regime colegial podia ser não só atenuado como mobilizador da ideia de cooperação.
Andamos ao arrepio da História e perdemos a ideia de possibilidade e de utopia. Também por isso republiquei esta entrevista, onde remeti para a escola uma indelével função: "A cultura da escola é a cultura permanente da exigência, da finalidade e da regra mas também do afecto, da amizade e do drama."
Considero-me razoavelmente informado. Ouço rádio, leio livros, vejo alguns programas de informação nos canais de televisão, é raro o dia em que não leio a edição impressa do Público e consulto diariamente vários sítios na internet, quer de jornais online quer de blogues.
Quem acompanha este blogue sabe do meu posicionamento ideológico e conhece bem o que penso das políticas educativas perpetradas pelo anterior governo.
Não sinto a mais leve necessidade em ler uma qualquer escuta telefónica por mais sensacionalista que seja o anúncio do seu conteúdo - não, não comprei o Sol -.
Tenho escrito sobre a desconfiança política em relação ao núcleo duro deste governo e bastou-me ver um ou outro jornal de sexta da TVI para não perder mais um minuto com aquele género de programa de televisão (ia a escrever jornalismo). E por falar em televisão, devo escrever que vi a entrevista na RTP de Armando Vara e que fiquei esclarecido, se é que tal era necessário, quando o senhor afirmou que o empresário Godinho foi ao seu escritório no BCP perguntar pela morada da EDP na capital.
Não sei se é da idade, e apesar de continuar um optimista invencível, mas observo-me num registo algo céptico em relação à capacidade da natureza humana para manter um elevado registo ético que abranja a maioria dos cidadãos. Também devo dizer que não tenho pachorra para a facilidade, e com sucesso garantido, com que se anuncia a desgraça - que pode nunca acontecer que não há qualquer problema de credibilidade para o anunciante - e que tem como expoentes máximos Pulido Valente e Medina Carreira.
Sou também da opinião que a inveja não pode ter as costas tão largas assim para que não se possa criticar os salários chorudos dos administradores das empresas públicas, jovens golden share ou não, ou de tanta outra malta que anda por aí a contribuir de forma determinante para o défice orçamental ou para a subida da despesa pública.
Não gosto de viver num país que chama ditador e encobridor de amigos corruptos ao seu presidente da República ou ao primeiro-ministro e que está há não sei quanto tempo a colocar em causa o carácter do procurador geral da República e do presidente do supremo tribunal de justiça (PSTJ), só porque eles não dizem o que uma parte do país, e da comunicação social, quer.
Vi a entrevista do PSTJ na SIC generalista no mesmo dia em que foi entrevistado na RTP. Já nem vi a segunda. Quero acreditar que o senhor fala verdade. Registei um detalhe extremamente importante.
A jornalista Clara de Sousa conduziu a entrevista com muito profissionalismo e a certa altura perguntou ao senhor PSTJ:
"O senhor foi nomeado?".
O senhor PSTJ respondeu com satisfação:
"Não, não fui nomeado; fui eleito pelos meus pares".
Faz toda a diferença, como se sabe. Nesta e em todas as outras situações.

(encontrei esta imagem aqui)
Um pequeno vídeo para quem se queira meter em situações que exijam capacidade de liderança.
Ora clique.