O tríptico que Francis Bacon dedicou a Lucian Freud terá o valor mais alto de sempre no mercado da arte.
Este tipo de notícia pode pôr a pensar os nossos afuniladores curriculares.
Este post é de 19 de Novembro de 2014.
O tríptico que Francis Bacon dedicou a Lucian Freud terá o valor mais alto de sempre no mercado da arte.
Este tipo de notícia pode pôr a pensar os nossos afuniladores curriculares.
Este post é de 19 de Novembro de 2014.
Concordo com a ideia do CNE de eliminar a obrigação de tornar públicas as pautas de avaliação antes do sétimo ano de escolaridade, substituindo-a por informação individual a cada aluno e respectiva família. E não se deve circunscrever às pautas: deve aplicar-se a todas as avaliações e a quadros de valor e de mérito.
Ia a escrever que há muito que escrevo a defender estas ideias, mas não é verdade. Não é há muito porque os descomplexados competitivos criaram estes processos há pouco tempo e até julguei que esta espécie de "nova teoria do homúnculo" era impossível no século XXI.
Pode conhecer aqui e aqui alguns dos textos que escrevi sobre o assunto.
Reavaliar provas do 4.º e 6.º ano.
A "cultura da nota" em Portugal está num pico mediático e os argumentos prós e contra são ancestrais. Mas há uma evidência: a "cultura da nota" em Portugal já chegou ao primeiro ciclo e o pré-escolar deve ser a próxima etapa. Até o importante senso comum concordará com a seguinte asserção: crianças de 10 anos não podem ser tratadas como jovens de 17 ou 18 anos. Há tempos distantes escrevi o que vai ler a seguir e acrescento: quadros de mérito e avaliação sumativa pública só a partir do 7º ano de escolaridade.
Há muito que se conhecem os políticos que se movimentam na área dos privados encostados ao Estado na Educação e que afirmaram as suas convicções ideológicas no último guião da reforma do Estado apresentado por Paulo Portas. O cerne ideológico da questão educativa do guião é o mais à direita que se conhece e teve péssimos resultados onde foi aplicado com a Suécia como exemplo (para ficarmos pela Europa).
O guião voltou ontem pela mão do mesmo actor e com os preconceitos oportunistas do costume. Nem sei se o texto, a que se acrescentou um friso cronológico como sound bite organizacional, é para levar a sério. Mas deixar à direita mais extrema com representação no parlamento o "pensamento" da Educação é um qualquer desprezo escolar por parte do PSD e que só é possível porque existiram os últimos e trágicos governos do PS nesta área.
E eis que o Governo, e a sua maioria, metem na gaveta o discurso empreendedor e descomplexado competitivo e anunciam a reparação do injusto sofrimento que causaram aos funcionários públicos. O povo está boquiaberto com a epifania em jeito da enésima guinada semanal. Mas já se sabe: estamos em campanha e, depois dos votozinhos, lá virá um Governo desconhecedor, coitado, das contas do país. Abrirá a gaveta e os do costume voltarão a ser os "parasitas" que alimentam a divisão lusitana e o gáudio do lumpen.
Na segunda-feira passada (17 de Março de 2014), e no programa prós e contras, dei com a presença dos dois ultraliberais descomplexados competitivos ilustrados na imagem fotografada no meu televisor. Sinceramente que pensei: há aqui um dedo de Relvas.
Já tinha estranhado o cancelamento sucessivo da "quadratura do círculo" noutro canal para dar lugar a três ou quatro horas ininterruptas de linguajar sobre a cor das caneleiras dos jogadores de futebol. No Domingo, percebi, na imprevista entrevista conduzida por Rodrigues dos Santos, que José Sócrates foi empurrado para os limites da irritação e o alinhamento do telejornal de ontem à noite tirou-me as dúvidas: Relvas ou a sua escola estão de regresso.
É nos mesmos centros cerebrais que se sente a beleza de uma equação ou de uma obra de arte. A conclusão tem tanto de óbvio como de justo e questiona mais uma vez os desmandos dos descomplexados competitivos que nos governam.
É justo para os matemáticos que tantas vezes assistem ao desdém dos "agentes culturais", mas é também uma lição para os que usam o preconceito que despreza a importância dos ensinos das humanidades ou das artes.
Não é por acaso que os jovens investigadores em ciências exactas atrasam o interesse por outras belezas enquanto se aborrecem com a incompreensão dos outros em relação às suas visões e sentimentos.
Também se compreende ainda melhor os que defendem que as lideranças nas organizações se caracterizam por um único exercício: discorrer a propósito de uma obra de arte.
A impressa do Público dedica treze páginas ao inverno da ciência numa espécie de dossiê que se recomenda. São muitas as variáveis que os descomplexados competitivos que governam resolveram terraplenar. Mas há a uma, a confiança, que é estrutural e que vai para além da troika. O inferno da burocracia, agora em modo digital, já atravessava todos os graus de ensino, do pré-escolar ao superior, mas também desoxigena a investigação e a ciência.
Página 8 da edição impressa do Público.
A passagem do tratamento da informação do analógico para o digital não acrescentou, na esmagadora maioria dos casos, "inteligência" aos sistemas. Pode até tê-los burocratizado mais, principalmente quando o outsourcing ou as pessoas das tecnologias da informação e comunicação decidiram sobre a criação dos campos da gestão da informação. O clima de desconfiança cimentou o inferno neste domínio.
Podemos acrescentar inúmeros exemplos que tornam inteligíveis as soluções e que contrariam o discurso de que não há nada a fazer.
Consideremos dois exemplos que me parecem esclarecedores. Se numa instituição escolar há um programa informático de alunos que integra o campo que insere o masculino/feminino, deve ser impedido por lei que a organização solicite a um director de turma, ou a qualquer outro actor da organização, que "conte" os masculinos e os femininos da sua turma e que lance os dados num qualquer suporte digital ou analógico. É uma obrigação da organização, e do seu software, disponibilizar relatórios com sumários sobre a informação obtida. Do mesmo modo, uma organização escolar deve ter o direito de não lançar informação repetida nas das bases de dados dos serviços centrais do MEC. É impensável que os serviços centrais de um ministério "desconheçam" que têm diferentes departamentos (ou o mesmo departamento) a solicitarem a mesma informação.
Podia deixar apenas uma ligação para este post, de leitura obrigatória, do Paulo Guinote sobre a História da profissionalidade dos professores, mas não quero perder a informação.
Há por aí uns descomplexados competitivos, que propalam o desprezo pela História, que argumentam como esquerdista, despesista, sindicalista e corporativista a redução da componente lectiva dos professores à medida que a idade avança.
Não gosto de comparar profissões, mas conheço bem a que exerço e defendo essa redução do mesmo modo que as empresas que se prezam dão folgas de dias a quem exerce a sua profissão por turnos ou até às conquistas fundamentais e inquestionáveis do Direito do trabalho.
O que o Paulo Guinote publicou, e que pode ler aqui, é um documento que enquadra a profissão de professor nos anos trinta do século passado em que a ideologia dominante estava nos antípodas das esquerdas diabolizadas pelos fanáticos do Estado mínimo.
Actualização às 20h05: o Paulo Guinote fez mais um post de leitura obrigatória sobre o leque salarial no mesmo período, onde se constata que as diferenças salariais eram muito mais acentuadas.
Li a formulação "descomplexados competitivos" pela primeira vez numa crónica de Pacheco Pereira donde retirei esta passagem:
"(...)Pelo meio, perguntou, com evidente escárnio, a um desempregado se este tinha tirado o curso de História, uma imprevidência para quem quer ter um emprego. Não tenho dúvida de que quem formulava esta pergunta fazia parte de um dos lados do novo binómio da luta de classes descrito por Passos Coelho, o dos "descomplexados competitivos". O curso de História, se tivesse feito parte do currículo do desempregado, colocá-lo-ia de imediato na categoria de "preguiçoso autocentrado", antiquado e inútil, "piegas" e queixoso, a quem é preciso dar um abanão de pobreza a ver se se torna "competitivo". Estamos perante uma nova forma de luta de classes: a que opõe "descomplexados competitivos" a "preguiçosos autocentrados". Pelos vistos, uma característica destes últimos é que se interessam por história.(...)".
Ora veja o vídeo e diga lá se não se fica a saber em 33 segundos o que é um descomplexado competitivo?