Mostrar mensagens com a etiqueta luta de classes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta luta de classes. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 1 de maio de 2017

o trabalhador como conceito

 


 


 


 


1-maio-chicago


 


Chicago, 1 de Maio de 1886


 


"Por que será que se riem quando digo que trabalho muito?", interrogou-se um humorista. Compreendi-o. Fazer rir, como de resto acontecia com a maioria das actividades culturais, ficava aquém de um conceito que considerava um banqueiro ou um facilitador de negócios como o grau elevado do exercício profissional. O valor do trabalho restante media-se pela "possibilidade" de sobrevivência para baixo; era disso que riam.


Já não é assim. Algo mudou no conceito, mas tardam as reversões. 


Os professores, por exemplo, gozam de boa reputação, como trabalhadores, nos inquéritos junto das populações, mas "irritam" o poder da última década e meia em Portugal. São uma espécie que incomoda e foram escolhidos, não apenas por serem muitos, como alvo a abater. Começou antes da chegada dos credores. Não é especulativo afirmar que estamos há anos a fio a registar quase diariamente essa degradação sem um qualquer sinal de reversão.

sábado, 9 de abril de 2016

o panamá e a frustração portuguesa

 


 


 


Nota-se a frustração portuguesa com os primeiros dados do "Panamá Leaks". Há alternativas para que não se elimine a vontade de um mundo melhor? Claro que haverá. É muito interessante o exemplo relatado hoje na revista do Expresso.


 


 


clara1.png


 


 


Captura de Tela 2016-04-09 às 16.00.27.png


 


 


 


 


 


 



 

 

 

 

 

 

"OS JORNALISTAS VÃO GASTAR MESES E ANOS A TRATAR DADOS ENCRIPTADOS DE QUE NINGUÉM, DAQUI A UNS DIAS, QUERERÁ SABER EXCETO SE FOREM CARAS CONHECIDAS. OS PEIXES GORDOS SOBREVIVERÃO

 

Nunca ninguém ouviu falar de Crickhowell. É uma cidade do País de Gales que fica à beira de uma das autoestradas do Reino Unido. O nome em galês foi traduzido para inglês para não tornar a cidade impronunciável. Tem um castelo, duas escolas, uma biblioteca, igrejas e hotéis, uma rua principal com lojas, cafés, pubs, restaurantes. Os hotéis explicam-se pela popularidade de Crickhowell com os amantes da natureza. Campismo, caravanismo, montanhismo. Os estabelecimentos comerciais são quase todos negócios familiares, alinhados nas ruas e calçadas do centro da cidade. Nunca ninguém ouviu falar de Crickhowell até Steven Lewis, dono de um café e restaurante, se irritar. O senhor Lewis é um militar durão, reformado, que resolveu revoltar-se, juntamente com os outros comerciantes da cidade, contra o sistema de impostos. A cidade nunca aceitou a vinda das multinacionais e não tem um Starbucks. Ou qualquer uma das cadeias gigantes de retalho. O senhor Lewis descobriu que tinha pago 21% de IRC no último ano, equivalente a 31 mil libras, 38.500 euros. E que a multinacional Facebook tinha pago, no mesmo ano, 4327 libras, 5380 euros. Exatamente. Um sétimo das taxas de Mr. Lewis. Um montante inferior ao IRS de um contribuinte inglês médio. Os comerciantes de Crickhowell descobriram o que todos sabiam ou deviam saber, que todos sabemos ou devemos saber. Que os ricos, sobretudo as grandes corporações, não pagam impostos. Google, Facebook, Apple, Starbucks, muitos outros, não precisam de usar os expedientes de firmas como a Mossack Fonseca, basta instalarem-se, através de um sistema multiplicador de evasões perfeitamente legais desenhadas por grandes e respeitáveis escritórios de advogados, em território europeu. Na Irlanda, na Holanda, no Luxemburgo, entre outros. Países que funcionam como offshores numa escala superior ao Mónaco, a Malta ou Jersey. Os sistemas fiscais europeus autorizam estas manobras, encorajadas e toleradas por governos democráticos. Parte da ‘recuperação’ irlandesa tem que ver com a sua capacidade para funcionar como sede fiscal e mecânica das multinacionais tecnológicas. Steven Lewis, com a sua experiência militar na Irlanda do Norte e no Médio Oriente, resolveu arregimentar os comerciantes de Crickhowell e marchar contra o ‘inimigo’. O Governo britânico. Resolveu replicar a manobra e tentar que a cidade pagasse impostos, como um coletivo, num paraíso fiscal. O Governo disse não, porque as cidades, ao contrário das empresas, não podem registar-se offshore. A cidade queria ter os mesmos direitos das empresas. Steven Lewis não desistiu e afirmou em público que enfrentaria o Governo com as táticas que aprendera a usar contra o terrorismo. “Vamos à jugular”, disse. “E vamos ser brutais”. Numa estimativa baixa, os impostos sonegados às autoridades fiscais do Reino Unido devem andar pelos 3,8 biliões em 2014. E os impostos das corporações são mais baixos do que nos Estados Unidos. Um padeiro de Crickhowell descobriu que tinha pago mais impostos do que o Facebook. E não tem dinheiro para expandir o negócio, ao contrário das multinacionais. Os habitantes de Crickhowell tornaram-se peritos em táticas de evasão fiscal. Têm autocolantes nas janelas que dizem Fair Tax Town, e continuam a reivindicar pagar impostos offshore e coletivamente. Mais 27 cidades aderiram à iniciativa. Steven Lewis quer ainda um sistema de rating por estrelas para acusar as corporações que pagaram menos impostos, e toda a gente ficar a saber. Transparência, fim do segredo.

Esta forma de luta, ou os tachos e os iogurtes e bananas atirados contra o Parlamento da Islândia, são tanto ou mais eficazes como a publicação dos “Panama Papers”. Os jornalistas vão gastar meses e anos a tratar dados encriptados de que ninguém, daqui a uns dias, quererá saber exceto se forem caras conhecidas. Os peixes gordos sobreviverão. As várias firmas Mossacks Fonsecas, saídas de um livro de John Grisham, continuarão. Os governos que deixam que o Facebook pague impostos ridículos ficarão. E Londres foi comprada pelos mesmos plutocratas. Daqui a uns dias, a frívola atenção das massas esmorece, por excesso de informação. E arranja outro tema. Arranja sempre. Lembram-se do “pequeno Aylan”?"


 

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

avaliação, produtividade e democracia

 


 


 


Não é rigoroso, e é até pior do que isso, generalizar a ideia: não querem é ser avaliados.


 


Como a "prestação de contas" foi a expressão-chave mais repetida no que levamos de milénio pelos que a exigiam aos outros, o esmagamento das classes média e baixa usou essa formatação burocrática em clima de totalidade enquanto a classe de casino se movimentava na libertada engenharia financeira. Foram poucos os que resistiram (não queriam ser avaliados, claro), e não era mesmo nada fácil, e sofreram com isso. 


 


As administrações públicas foram alvos semelhantes às empresas, com uma analogia mais evidente com as de grande escala. A avaliação de desempenho burocrática, com fuga aos "olhos nos olhos", foi o método de controle escolhido que se transformou em "tormento". Está comprovado que os processos administrativos de avaliação não introduziram aumentos na produtividade. A robotização, que consegue, grosso modo, que uma pessoa produza o mesmo que três é uma discussão cada vez mais presente e aumentam as vozes que "exigem" aos robots descontos para a segurança social. Mas isso já é tergiversar e nada tem a ver com a avaliação burocrática.


 


Por outro lado, a redução de salários foi um objectivo plenamente conseguido; mas não foi o único aspecto negativo.


 


A democracia foi desaparecendo das organizações. A possibilidade da pergunta de proximidade foi substituída pela burocracia numa engrenagem diabólica que favoreceu o controle como método relacionado com o temor. A atmosfera relacional intoxicou-se e a produção reduziu-se desde logo pelo tempo gasto em registos repetidos e inúteis pomposamente designados pelo vocabulário da má burocracia. As organizações abandonaram os ideais de inovação e simplificação e deram lugar ao controle mútuo das pessoas. A cooperação foi substituída pela obsessão individualista associada aos fenómenos mais conhecidos do mundo do trabalho actual: desesperança, saturação, fuga, burnout out e medicação excessiva e sem controle.


 


accountability.jpeg


 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

com um desenho é mais simples

 


 


 


 


A História nunca assistiu a uma transferência tão volumosa de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta. A dívida pública é usada como um dos argumentos estratégicos e os especialistas conhecem a falácia. Nem é preciso recorrer a Joseph Stiglitz. O super-rico dos EUA Warren Buffett, disse, em 2006, que "existe uma guerra de classes, sem dúvida, mas é a minha classe - a classe dos ricos - que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la."


cartoon_divida_publica1.jpg

sábado, 10 de janeiro de 2015

não é a retórica dos mandarins

 


 


 


 


Desde 2006, 2007, que a luta de classes se tornou óbvia nas democracias ocidentais. Joseph Stiglitz sublinhou-o e ainda há tempos publiquei um post a propósito do seu último livro onde se pode ler uma referência à célebre entrevista ao super-rico dos EUA Warren Buffett. Foi este último quem disse, em 2006, que "existe uma guerra de classes, sem dúvida, mas é a minha classe - a classe dos ricos - que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la."


 


O que mais me tem impressionado não é a retórica dos Mandarins; esses são 1% e Warren Buffett é uma excepção. O que mais custa ouvir e ler são os serviçais onde se incluem os nossos últimos governantes acolitados num batalhão de comentadores que só se "alimentam" em quem lhes estende a mão. É claro que há todo um exército de eleitores que legitima o auto-sofrimento.


 


 


 


Já usei estes argumentos noutro post.


 


 


 


  

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

mas é novidade?

 


 


 


O que vai ler a seguir exige que se pergunte: e as pessoas? E a tal de prestação de contas?


 


A "Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) detectou falhas graves nas três maiores agências de rating — Standard & Poor's, Moody’s e Fitch —, que avaliam o risco da dívida soberana dos países da União Europeia,(...)" e que influenciaram as trágicas políticas de austeridade em curso. Se associarmos a isto a célebre falha no modelo excel usado pelos austeritaristas, temos motivos para a mais profunda das indignações.


 


Há anos que se percebe que estes estudos internacionais são pouco credíveis e manipuladores, mas é inadmissível o que se passou nos últimos dois anos e que provocou o sofrimento de milhões de pessoas com o consequente enriquecimento de 1% da população mundial. Já não restam dúvidas que se assiste a uma luta de classes que perpetrou a maior transferência da história de recursos financeiros das classes média e a baixa para a alta.


 


Percebe-se como sobem os juros da dívida como a portuguesa que se transformou na mais lucrativa do mundo em 2012.


 


 


 



 


"(...)Da investigação, a autoridade europeia destaca ainda possíveis conflitos de interesses, falhas no controlo de confidencialidade, os timings de divulgação de alterações de classificação e falta de recursos humanos para elaborar as classificações.


A investigação às classificações das agências de rating, seguidas por muitos investidores nas suas opções de investimento em títulos de dívida soberana, surgiu na sequência dos cortes de rating das agências em plena crise da dívida na zona euro.(...)"


 


 



 


"(...)Outras falhas apontadas pelo regulador têm a ver com o processo de notificação de alterações de ‘rating' aos soberanos alvo dessa acção, sobre o pouco tempo que os comités para atribuir ‘ratings' levam a tomar uma decisão relativamente à nota de crédito de um determinado país e sobre a atribuição das funções de avaliar os Estados a recursos humanos com pouca experiência ou mesmo recém-contratados."







terça-feira, 22 de outubro de 2013

o que mais me impressiona

 


 


 


 


Desde 2006, 2007, que a luta de classes se tornou óbvia nas democracias ocidentais. Joseph Stiglitz sublinhou-o e ainda noutro dia publiquei um post a propósito do seu último livro onde se pode ler uma referência à célebre entrevista ao super-rico dos EUA Warren Buffett. Foi este último quem disse, em 2006, que "existe uma guerra de classes, sem dúvida, mas é a minha classe - a classe dos ricos - que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la."




O que mais me tem impressionado não é a retórica dos Mandarins; esses são 1% e Warren Buffett é uma excepção. O que mais custa ouvir e ler são os serviçais onde se incluem os nossos últimos governantes acolitados num batalhão de comentadores e de opinadores que só se "alimentam" em quem lhes estende a mão. É claro que há todo um exército de eleitores que legitima o auto-sofrimento; mas esses...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

da história do pragmatismo

 


 


 


 


 


As questões de "ser" e"dever ser" atravessam a História e a economia política não foge a issoSe Adam Smith é considerado uma espécie de pai do Liberalismo e do primado do individual, Marx e Keynes surgem, mais o primeiro, claro, como a outra categoria da contradição.


 


Quando as lutas sociais atingem picos, como acontece na sociedade portuguesa, são comuns as críticas aos que se movem apenas por interesses particulares. Tenho percebido que não escapamos a esse pragmatismo e principalmente quando o triunfo do Liberalismo, ainda por cima prefixado com o ultra ou o neo, parece afirmar-se ainda sem contraditório modelar.


 


Quem desenha formas de contestação a essa totalidade tem de equacionar que os humanos vão paulatinamente assumindo as tendências da corrente dominante, nem que seja como mecanismo de sobrevivência, como sublinhou Adam Smith (2010:63) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.


 


 


 


domingo, 22 de julho de 2012

a denuncia de joseph stiglitz em 2009

 


 


O prémio Nobel da economia foi taxativo em 2009: estamos perante uma luta de classes derivada da corrupção ao estilo norte-americano.


 


A desregulação dos mercados inspirada na tese de Milton Friedman está definitivamente desmontada. A ideia de que os grandes grupos financeiros exerciam melhor a responsabilidade social do que os governos, conheceu nestes dias um abalo severo.


 


Já se suspeitava que os offshores acumulavam capital sem fim, mas agora sabe-se que o buraco negro é descomunal. Que ninguém se iluda: os nossos bons alunos para além da troika são gerentes destes interesses e as privatizações em curso em Portugal estão contaminadas por esse tipo de ganância.


 


Se nada mudar, e é difícil que mude com as democracias suspensas, assistiremos a sangrentas batalhas entre classes sociais.


 


Super-ricos "escondem" mais de 17 biliões de euros em paraísos fiscais 


 


 


"Há um “enorme buraco negro” na economia mundial: as fortunas privadas mantidas em paraísos fiscais. Até agora não se sabia quantificar o tamanho desse “buraco”. Mas neste domingo foi divulgado um estudo que revela que a elite internacional de “super-ricos” preserva em paraísos fiscais pelo menos 21 biliões de dólares (17,3 biliões de euros).(...)"

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

classes

 


 


 


Não é preciso um Joseph Stiglitz para se perceber que entrámos num momento alto da luta de classes. Chamemos as coisas pelos nomes: a corrupção ao estilo norte-americano foi exportada há muito para a europa e os resultados estão aí: uma transferência de capital financeiro, das classes média e baixa para a classe alta, inédita na história e um poder político "aprisionado"; voluntariamente em muito casos.


 


As receitas para a crise são sempre as mesmas e só sobre os do costume: cortes nos salários, aumentos de impostos e de preços e desemprego. Os paraísos ficais continuam "eliminados" da agenda mediática. A corrupção movimenta-se bem e sorri. As classes desfavorecidas têm sido de uma extrema generosidade e compreensão. Mas é importante recordar que a dor ainda só deu os primeiros passos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

solução alargada

 



 


As sociedades do centro e do sul da europa enfrentam um desafio que se acreditava a caminho da diluição: a luta de classes. Com um número muito inferior de operários e quase sem camponeses, essas comunidades assistem à constante diminuição das denominadas classes médias, ao empobrecimento acentuado de largas fatias da população e ao enriquecimento sem paralelo de uma minoria. Esta nova realidade enreda-se num monstruoso somatório de minutas e directórios que recorda a central do antigo estado soviético, que se classifica como poder central europeu e cujos membros se fazem pagar a preços elevadíssimos com uma corte que inclui um número muito apreciável de ajudantes.


 


Para complicar a solução europeia, existe uma crescente suspeita da pior americanização: "Crise é o resultado da "luta de classes contra os mais pobres" realizada pelo sistema financeiro norte-americano com a cumplicidade do poder político" na opinião de Joseph Stiglitz. E acrescenta: "(...) A actual crise resulta da "corrupção ao estilo americano"(...)".


 


Esta doença europeia tende a alargar-se e poderá originar convulsões sociais impensáveis há pouco mais de cinco anos.