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domingo, 15 de dezembro de 2019

Reféns

 


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"Vivemos em permanente medição, quantificação e avaliação. Nada escapa. Coisas, pessoas, actividades ou instituições. Obcecados com números, rankings, ratings ou likes, já nem nos damos ao trabalho de pensar. O nosso espaço mental é uma tabuada. Consumimos percentagens como se fossem ansiolíticos. Vivemos em cálculo permanente. Desiste-se de elucidar, de reflectir ou persuadir.(...)" É assim que Vítor Belanciano começa "a sua crónica" no Público com o título "reféns da sociedade da quantificação". E ainda esta semana, a agenda comunicacional repetiu um raciocínio falacioso para descansar as consciências e instituir mais inacção na falta de professores: "nos próximos 4 anos reformam-se 18 mil professores e também haverá menos 101 mil alunos". E depois? E isso significa o quê? Olhemos pela tabuada: na última década, a redução de professores (30 mil) e a de alunos (160 mil) foram mais acentuadas e a crise de professores agravou-se. Para além disso, se reduzirmos o abandono (o precoce e o outro) e o insucesso escolares para números decentes, teremos acréscimo na frequência escolar. Por outro lado, devíamos introduzir critérios de qualidade e de sustentabilidade desde os alunos por turma à escala das organizações. Aliás, já há países a questionar os sacrossantos indicadores do PIB, cuja aritmética mais não tem feito do que aumentar as desigualdades (os ganhos da produtividade concentram-se numa minoria) e degradar o ambiente (as organizações de grande escala entraram em crise irreversível). E acrescenta Vítor Belanciano: "(...)Em vez de basear toda a análise na evolução do PIB, o Governo islândes deseja conciliar factores como a educação, saúde, boa governança, cidadania, saúde da democracia, protecção ambiental, acesso à cultura ou gestão equilibrada do tempo.(...)"


Imagem: encontrei a imagem no site da "exposição - Urbano - neste meio de mar"

sexta-feira, 4 de maio de 2018

a sociedade educativa adoeceu gravemente; e não é de agora

 


 


 


Instalou-se a febre da medição em modo prova final ou aferição e em mais ou menos áreas; e não há distinções de grau no estado patológico. O valor desmesurado dado ao resultado chega a ser tão confrangedor que já nem sequer se questiona a efemeridade de qualquer conclusão. Tenho ideia que boa parte das opiniões sobre PISA, TIMMS ou PIRLS desconhece os conteúdos avaliados. É um fenómeno semelhante ao do estrangeirado ranking. Faz tudo parte da doença grave que se faz acompanhar de inúmeras e inamovíveis enfermidades.

domingo, 24 de abril de 2016

são 11x11 e no fim ganha a Alemanha

 


 


As elevadas taxas de insucesso escolar evergonham-nos e aumentaram nos últimos anos. O empobrecimento só podia dar nisto. Choca saber que, em 2014, 11 mil crianças reprovaram no 2º ano de escolaridade, o tal que o inferno da medição vai passar a aferir depois de inúmeros seminários, colóquios e horas mediáticas.


 


director-geral de uma tal de EPIS (empresários pela inclusão) que se dedica há muito ao apoio social a estudantes, também se choca e escreveu para o Expresso. E não se indigna com a fuga aos impostos através dos Panamás Leaks nem sequer com o empobrecimento. Toca ao de leve nos problemas das famílias e das comunidades e conclui no género "são 11x11 e no fim ganha a Alemanha": "É, pois, urgente transformar a escola dos seis aos dez anos". Não defendo um qualquer modelo de escola como fim da história, mas já se torna sei lá o quê ler vezes sem fim as mesmas coreografadas, e circulares, conclusões.


 


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Expresso, 1º caderno de 23 de Abril de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

nos 1% não cabem pessoas

 


 


 


Lia o enunciado depois de vigiar um longo exame de português e viajei no tempo. Lembrei-me do professor Pires dos Santos. Pegava numa obra, passava aulas à volta do conteúdo e tratava da gramática e das circunstâncias mais variadas. Um teste com duas ou três perguntas era suficiente para nos avaliar.


 


Mas voltando ao tal exame, impressionou-me a fragmentação das três obras incluídas. Não há belo que resista. Não sei se esse tipo de obsessão métrica não nos está a impedir de olhar para o mundo sem ser numa folha excel onde muito remotamente cabem pessoas. Ou seja: nos interesses dos 1% não cabem com toda a certeza (só os seus) e não paro de me surpreender com a contribuição fervorosa de uma quantidade apreciável dos 99%.


 


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quarta-feira, 9 de julho de 2014

uns eternos arrependidos

 


 


 


 


 


Não se percebe o que tem sustentado o apoio inicial sem limites aos últimos ministros da Educação. O facto torna risível o "discurso dos arrependidos", como se lê hoje no Público, "O pior do Crato", pelas teclas de Carlos Fiolhais. Fiolhais parece que é amigo do ministro, que conhece as suas ideias sobre ensino superior e investigação e que está desiludido.


 


Só que Crato é também ministro do ensino não superior. E quem o conhecia nesses domínios, apressou-se a avisar que Crato estava impregnado de preconceitos contra a escola pública, de elitismo e que nada sabia de gestão escolar onde não se conhece uma frase do seu pensamento. Tudo comprovado. O contágio ao ensino superior e à investigação foi, ao que parece, apenas uma questão de tempo.


 


Até o eduquês, que importou de Marçal Grilo, sempre se pareceu com o do crítico original: uma espécie de versão II que na prática resultava em mais do mesmo. As polémicas à volta do excessivo linguajar das ciências da Educação são apenas uma milionésima parte do inferno informacional em que mergulhou a gestão escolar e os últimos ministros limitaram-se a acrescentar ruído.


 


Será também por padecerem do mesmo desconhecimento, e quiçá dos mesmo preconceitos e por aí fora, que os eternos arrependidos são, para nossa desgraça, os laudatórios iniciais?


 


 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

mais negativo do que o tempo

 


 


 


Está muito frio, mas os graus que medem as políticas educativas devem estar uns graus abaixo do tempo e ultrapassam, com toda a certeza, a compreensão da termodinâmica ou da física estatística. Foi assim com os titulares, com os avaliadores, com os objectivos individuais, com as greves, com a participação na gestão escolar e por aí fora e é agora com os professores contratados (as históricas cobaias). O conselho para a inscrição na prova muda todas as semanas. 


 


A vida dos professores está há anos no fio da navalha que os divide e humilha. A génese do vexame está na insuportável desconfiança que considera os professores o problema maior do sistema escolar.