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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Da Confiança como Chave, a Exemplo da Autonomia e Da Responsabilidade

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Há muito, pelo menos desde a década de 1990, que a confiança é a chave da sociedade da informação e do conhecimento. Mas a confiança, a exemplo da autonomia e da responsabilidade, não se decreta apenas; acima de tudo, exerce-se e educa-se em ambiente de inclusão para todos: alunos e profissionais da educação.


E se a confiança nos professores é decisiva para a robustez da democracia, a chave para se perceber a "fuga" dos professores portugueses está patente nos estudos mais recentes: "já só os alunos dão ânimo aos professores"

sábado, 16 de julho de 2022

Faltas Escolares e Administração


Numa sociedade saudável, a gestão administrativa das faltas escolares tem a justificação como ponto de partida. Ou seja, os sistemas de informação são programados para que o lançamento inicial seja como falta justificada.


Nas sociedades ausentes ou doentes, o ponto de partida administrativo da falta escolar é a injustificação. Ou seja, a desconfiança prevalece e este pequeno detalhe provoca uma sucessão de procedimentos para justificar uma maioria de faltas que são justificadas. Parece uma coisa desmiolada, mas é mesmo assim. É até um bom exemplo, risível para quem não lida com tanto absurdo, para explicar o inferno burocrático que caracteriza estas sociedades. Aliás, registam um queixume constante em relação ao excesso de burocracia e um permanente passar de culpas entre actores viciados em desconfiança; uma espécie de espelho.


2ª edição.


 


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quarta-feira, 13 de julho de 2022

Escola E Mundo Melhor


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Antes do mais, um mundo melhor seria obviamente sem guerras nem pandemias e com uma democracia consolidada que contrariasse a ganância. E, como se sabe, a escola dá um importante contributo, em duas ou três gerações, para a afirmação da democracia ou para a sua fragilização.


Aliás, comprova-se, por muito difíceis que sejam os estudos empíricos, a relação directa e proporcional entre a qualidade democrática das escolas, a ambição escolar dos alunos e a confiança nos professores. E se a ambição escolar é tão determinante como as condições sócio-económicas, a confiança nos professores é um requisito relacional precioso.


Para além de tudo, a mediatização constante e prolongada da desconfiança nos professores - agravada com as turmas numerosas - deixou tantas marcas como a sua precarização. Desautorizou salas de aula, prejudicou o ensino e as aprendizagens e afectou todos os alunos. Desse modo, "criou" escolas e turmas para os mais informados e desprezou uma variável fundamental que se ia concretizando por cá no século XX e nos primeiros anos deste milénio: a "miscigenação" das diversas condições sociais como critério cimeiro para a elevação das escolas e dos sistemas escolares. É importante recordar que esse cruzamento de indivíduos é igualmente decisivo para o crescimento da essencial classe média que fortalece as democracias (é ler Hannah Arendt).


Na última década e meia houve um choque de desconfiança nos professores que se tarda em reverter. É óbvio que já se sente a falta de professores, mas terá outros efeitos no médio e longo prazos. Era bom que também neste domínio, e a exemplo do clima, das dívidas e da segurança social, nos esforçássemos por deixar um mundo melhor. Não basta dizer que se confia. É crucial que os instrumentos da política o confirmem.


2ª edição.


segunda-feira, 21 de março de 2022

A Escola e um Mundo Melhor

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Antes do mais, um mundo melhor seria obviamente sem guerras nem pandemias e com uma democracia consolidada que contrariasse a ganância. E, como se sabe, a escola dá um importante contributo, em duas ou três gerações, para a afirmação da democracia ou para a sua fragilização.


Aliás, comprova-se, por muito difíceis que sejam os estudos empíricos, a relação directa e proporcional entre a qualidade democrática das escolas, a ambição escolar dos alunos e a confiança nos professores. E se a ambição escolar é tão determinante como as condições sócio-económicas, a confiança nos professores é um requisito relacional precioso.


Para além de tudo, a mediatização constante e prolongada da desconfiança nos professores - agravada com as turmas numerosas - deixou tantas marcas como a sua precarização. Desautorizou salas de aula, prejudicou o ensino e as aprendizagens e afectou todos os alunos. Desse modo, "criou" escolas e turmas para os mais informados e desprezou uma variável fundamental que se ia concretizando por cá no século XX e nos primeiros anos deste milénio: a "miscigenação" das diversas condições sociais como critério cimeiro para a elevação das escolas e dos sistemas escolares. É importante recordar que esse cruzamento de indivíduos é igualmente decisivo para o crescimento da essencial classe média que fortalece as democracias (é ler Hannah Arendt).


Na última década e meia houve um choque de desconfiança nos professores que se tarda em reverter. É óbvio que já se sente a falta de professores, mas terá outros efeitos no médio e longo prazos. Era bom que também neste domínio, e a exemplo do clima, das dívidas e da segurança social, nos esforçássemos por deixar um mundo melhor. Não basta dizer que se confia. É crucial que os instrumentos da política o confirmem.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Dos Detalhes

 


 


 


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Um aluno com características que exijam a constituição de uma turma reduzida (os fundamentais 20 e não 28 alunos) tem que frequentar, diz a lei, 60% da carga curricular para que a turma se reduza. Ou seja, as disciplinas que incluem o espaço inferior a 60% integram o aluno num universo de 28 e não de 20 alunos. É um detalhe que faz toda a diferença e que espartilha a inclusão entre o centralismo dos números e a desconfiança nas escolas e nos professores. 


A mediatização sobre a inclusão escolar aumentou com a publicação, em 2018, do nova lei (Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho) sobre educação especial. Mas a discussão continua afastada das salas de aula. Resume-se a contendas ideológicas, importantes mas insuficientes. É crucial recuperar uma ideia chave dos bons exemplos de gestão nos mais variados domínios, "o segredo está nos detalhes", e transformá-la em lei (bastaria recuperar o clima de confiança).

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A confiança nos professores e o que diz a lei

 


 


 


artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções burocráticas (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas estimulada, em grande parte, pelos serviços centrais do respectivo ministério.


 


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domingo, 28 de outubro de 2018

A escola e a fragilização da democracia

 


 


 


Não se conhece uma assumpção de culpa quando a democracia é empurrada para um degrau inferior. Mas decerto que há justificações. A escola pode dar um importante contributo, em duas ou três gerações, para a consolidação da democracia ou para a sua fragilização. Comprova-se, por exemplo, a relação directa e proporcional entre a qualidade democrática das escolas, a ambição escolar dos alunos e a confiança nos professores, por muito difíceis que sejam esses estudos empíricos. E a ambição escolar é tão determinante como as condições socioeconómicas.


Como Portugal tem elevadas taxas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme em autofagia. Há uma justificação no longo prazo se nos compararmos com quem eliminou o analfabetismo no século XIX e onde a ambição escolar é inquestionável. Contudo, há variáveis importantes no curto prazo e a confiança nos professores é preciosa. É um requisito relacional decisivo para a robustez da democracia. Para além de tudo, a desconfiança nos professores é intuída pelos alunos, desautoriza salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e "cria" escolas para os "mais informados". E é essa segregação social (porque as escolas têm limites de vagas) que dificulta a redução do abandono escolar. A "miscigenação das diversas condições" é tão determinante para a elevação das escolas e dos sistemas escolares como é, em sentido lato, para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia (é ler Hannah Arendt).


Regredimos na última década e meia. Houve um choque de desconfiança nos professores evidenciada, desde logo, pela hiperburocracia, pela avaliação de professores (a farsa "meritocrática"), pelo estatuto do aluno (o "cliente tem sempre razão" não se pode aplicar à escola) e pelo modelo de gestão escolar (um recuo democrático já desaconselhado no século passado). São instrumentos fundamentais que entraram num caminho disruptivo, e em que a actual maioria estranhamente não toca, contribuindo assim de modo indesculpável para a fragilização da democracia (e, depois, admiramo-nos).


 


Reescrito.


1ª edição em 10 de Maio de 2012.


 


 


Imagem do célebre "Clube dos Poetas Mortos",


uma intemporal homenagem à democracia.


 


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sábado, 27 de outubro de 2018

A ambição escolar, o curto prazo e a confiança nos professores

 


 


 


 


A relação entre a qualidade da escola e a ambição escolar dos alunos é directa e proporcional. Embora sejam difíceis os estudos empíricos num assunto que exige modelos consolidados, é seguro afirmar que os alunos são decisivos. 


A ambição escolar é tão determinante como as condições socioeconómicas. Como Portugal apresenta taxas elevadas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme em autofagia.


Há uma justificação no longo prazo se nos compararmos com países que eliminaram o analfabetismo no século XIX e onde a ambição escolar é inquestionável. Contudo, há variáveis importantes no curto prazo. É possível, por exemplo, erguer algo de significativo em meia dúzia de anos, numa escola ou num sistema escolar, ou destruir o que levou anos a construir.


E é também por isso que a confiança nos professores é tão determinante e preciosa como a ambição escolar dos alunos. É um requisito relacional decisivo. Para além de tudo, a desconfiança nos professores é intuída pelos alunos, desautoriza as salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e origina a escolha da escola pelos "mais informados". E é essa inaceitável segregação social que dificulta a redução do abandono escolar. A "miscigenação das diversas condições" é tão determinante para a elevação das escolas e dos sistemas escolares como é, em sentido lato, para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia.


Regredimos na última década e meia. Houve um choque de desconfiança nos professores evidenciada, desde logo, pela hiperburocracia. Se a avaliação de professores (uma falsa "meritocracia") e o estatuto do aluno (o "cliente tem sempre razão" não se pode aplicar à escola) estão na memória colectiva com efeitos negativos comprovados, o modelo de gestão escolar (um recuo já desaconselhado no século passado e que até os mentores mais optimistas reconhecem na aplicação a fragilização preocupante da atmosfera democrática) segue o mesmo caminho disruptivo; apesar de mais silencioso e menos mediatizado. São instrumentos fundamentais em que a actual maioria estranhamente não toca.


 


1ª edição em 10 de Maio de 2012.


Reescrito e em actualização.


 


Imagem do célebre "Clube dos Poetas Mortos"


 


 


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domingo, 4 de março de 2018

repetindo o elementar

 


 


 


Diversos inamovíveis (alunos por turma, aumentos nos horários, carga curricular, regras para aposentação, hiperburocracia e desconfiança nos professores, modelo de agrupamento de escolas, estatuto da carreira e sociedade ausente), exigem que a maior parte dos professores se centre num único objectivo em nome da dignidade: que as aulas não se afastem muito do que seria possível. Só quem nunca passou uns anos a leccionar, é que confundirá o que escrevi com corporativismo.


 


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 Nota: alunos e outros profissionais escolares subscrevem a resposta "aos planos" do desenho do Quino; interrogação adaptada ao tempo do texto.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

a lei e a confiança nos professores

 


 


 


 


Decorrem ainda as avaliações de alunos do final do ano e deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções de má burocracia (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas.


 


 


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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

há demasiadas crianças em risco

 


 


 


A desconfiança nas escolas tem diversas causas, mas a primeira relaciona-se com a inabilidade das sociedades em educar as crianças. A relação tem uma proporcionalidade directa. Uma sociedade que se demite de educar, remete para a escola a tarefa na totalidade.


 


Esta natural impossibilidade explica duas consequências: "perseguição" à profissionalidade dos professores, normalmente através da hiperburocracia e de outros fenómenos causadores de "síndrome de burnout", e aumento do consumo de psicotrópicos (ritalina e afins) em crianças agenda.


 


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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Da administração das faltas escolares

 


 


Numa sociedade saudável, a gestão administrativa das faltas escolares tem a justificação como ponto de partida. Ou seja, os sistemas de informação são programados para que o lançamento inicial seja como falta justificada.


 


Nas sociedades ausentes ou doentes, o ponto de partida administrativo da falta escolar é a injustificação. Ou seja, a desconfiança prevalece e este pequeno detalhe provoca uma sucessão de procedimentos para justificar a maioria das faltas; que são justificadas. É até um bom exemplo, mesmo que risível para quem não lida com tanto absurdo, para explicar o inferno burocrático que caracteriza estas segundas sociedades que registam um queixume constante em relação ao excesso de burocracia e um permanente passar de culpas entre actores viciados em desconfiança; uma espécie de espelho.


 


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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

demasiadas crianças tomam psicotrópicos

 


 


 


A desconfiança nos professores tem diversas causas, mas a primeira relaciona-se com a inabilidade das sociedades em educar as crianças. A relação tem uma proporcionalidade directa. Uma sociedade que se demite de educar, remete para a escola transbordante duas tarefas: educar e ensinar na totalidade. Esta impossibilidade explica duas consequências: "perseguição" à profissionalidade dos professores, normalmente através da hiperburocracia e de outras inutilidades causadoras de "síndrome de burnout", e aumento do consumo de psicotrópicos (ritalina e afins) em crianças agenda.


 


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domingo, 8 de novembro de 2015

da Europa e das actas

 


 


 


 


Somos quase o único país do velho continente onde se fazem actas de conselhos de turma e passamos as reuniões a dizer: isto tem que ficar em acta. Não imagino como é que no norte e no centro da Europa se entendem sem actas. Quiçá gregos e espanhóis nos imitem e talvez isso se relacione com as tais velocidades. Para além disso, constata-se que a palavra de um professor atingiu o grau zero da confiança e isso também explica o tipo de sociedade que construímos e a inabilidade na educação das crianças.


 


1ª edição em 24 de Março de 2015.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

da tal má moeda

 


 


 


Se a confiança é a moeda essencial para a economia, nas organizações é a palavra-chave. A confiança nos professores, por exemplo, é decisiva para eliminar a hiperburocracia. A palavra de um professor português vale menos do que um qualquer relatório, mesmo que seja um "copiar e colar". A constante degradação mediática da imagem dos professores só é superada pelas políticas que os desacreditam. É um ranking ensandecido. Se para Stephen Covey é esse o caminho, para o sistema escolar trata-se de o recuperar. Quanto mais tarde o fizermos, mais depauperado ficará o futuro da democracia.


 



"Stephen Covey é da Global Speed of Trust Practice e já integrou a lista dos 25 americanos mais influentes da revista Time; insuspeito, portanto :). Esteve há uns anos em Lisboa, onde falou sobre a importância vital da confiança nas organizações."


quarta-feira, 27 de maio de 2015

A confiança nos professores tem alguma relação com a nova moeda?

 


 


 


 


 



"O CEO da Covey Leadership Center e líder do Global Speed of Trust Practice já integrou a lista dos 25 americanos mais influentes da revista Time e esteve em Lisboa para a Happy Conference, onde falou sobre a importância vital da confiança no poder das organizações."(esta frase é duma edição impressa da Pública (2013?) e foi uma cortesia do José Mota).



 


A confiança é a moeda essencial para a economia e os portugueses conhecem bem a asserção.


 


Nos sistemas escolares é a palavra chave desde há muito. A confiança nos professores é decisiva para eliminar, por exemplo, a má burocracia. Mas a desconfiança atingiu um grau ainda mais baixo: a palavra de um professor vale menos do que um qualquer relatório, mesmo que seja um "copiar e colar". Essa quebra de confiança reflecte-se na disciplina na sala de aula. Só a elevação da nossa sociedade tem atenuado a generalização da patologia. A constante degradação mediática da imagem dos professores só é superada pela dos políticos que os desacreditaram e vale novamente a sociedade menos ausente que continua a confiar nos professores (não há estudo que não o evidencie).


 


É um ranking ensandecido. Tudo começa no estatuto do aluno, passa pelo dos professores e pela sua avaliação e prossegue nos modelos de gestão escolar. Se para Stephen Covey é esse o caminho que existe, para o sistema escolar trata-se de o recuperar. Quanto mais tarde o fizermos, mais depauperada ficará a democracia.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

burocracia e democracia

 


 


 


 


Ao aumento do controle burocrático corresponderá uma descida da democracia. O aumento da burocracia numa organização é o primeiro critério para medir a desconfiança nas pessoas.


 

quinta-feira, 19 de março de 2015

e a culpa não é do MEC

 


 


 


"O professor faz uma visita de estudo, ou uma saída do desporto escolar, com os seus alunos e tem de apresentar um papel com o carimbo do destinatário para comprovar a realização da acção". O que escrevi acontece em escolas públicas portuguesas e sou franco que nem queria acreditar. Este clima de desconfiança é fatal e devia ser proibido por lei.

domingo, 19 de janeiro de 2014

a desconfiança para além da troika - arquivo de ideias simples

 


 


 


 


A impressa do Público dedica treze páginas ao inverno da ciência numa espécie de dossiê que se recomenda. São muitas as variáveis que os descomplexados competitivos que governam resolveram terraplenar. Mas há a uma, a confiança, que é estrutural e que vai para além da troika. O inferno da burocracia, agora em modo digital, já atravessava todos os graus de ensino, do pré-escolar ao superior, mas também desoxigena a investigação e a ciência.


 



 


 


 


Página 8 da edição impressa do Público.


 


 


A passagem do tratamento da informação do analógico para o digital não acrescentou, na esmagadora maioria dos casos, "inteligência" aos sistemas. Pode até tê-los burocratizado mais, principalmente quando o outsourcing ou as pessoas das tecnologias da informação e comunicação decidiram sobre a criação dos campos da gestão da informação. O clima de desconfiança cimentou o inferno neste domínio.


 


Podemos acrescentar inúmeros exemplos que tornam inteligíveis as soluções e que contrariam o discurso de que não há nada a fazer.


 


Consideremos dois exemplos que me parecem esclarecedores. Se numa instituição escolar há um programa informático de alunos que integra o campo que insere o masculino/feminino, deve ser impedido por lei que a organização solicite a um director de turma, ou a qualquer outro actor da organização, que "conte" os masculinos e os femininos da sua turma e que lance os dados num qualquer suporte digital ou analógico. É uma obrigação da organização, e do seu software, disponibilizar relatórios com sumários sobre a informação obtida. Do mesmo modo, uma organização escolar deve ter o direito de não lançar informação repetida nas das bases de dados dos serviços centrais do MEC. É impensável que os serviços centrais de um ministério "desconheçam" que têm diferentes departamentos (ou o mesmo departamento) a solicitarem a mesma informação.


 


 


 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

mais negativo do que o tempo

 


 


 


Está muito frio, mas os graus que medem as políticas educativas devem estar uns graus abaixo do tempo e ultrapassam, com toda a certeza, a compreensão da termodinâmica ou da física estatística. Foi assim com os titulares, com os avaliadores, com os objectivos individuais, com as greves, com a participação na gestão escolar e por aí fora e é agora com os professores contratados (as históricas cobaias). O conselho para a inscrição na prova muda todas as semanas. 


 


A vida dos professores está há anos no fio da navalha que os divide e humilha. A génese do vexame está na insuportável desconfiança que considera os professores o problema maior do sistema escolar.