"Dinheiro, muito dinheiro, castelos, mansões e propriedades luxuosas, aviões, iates, obras de arte. 35 atuais e antigos Presidentes e primeiros-ministros, além de mais de 330 funcionários públicos em mais de 90 países, obtiveram estes e outros bens escapando ao escrutínio público – e é sobre isto o conjunto de artigos que começámos a publicar este domingo.
Cinco anos depois dos Panama Papers, muitos dos que usavam os serviços do escritório de advogados que esteve na origem deste escândalo passaram simplesmente a recorrer a outros escritórios do género - e continuaram com as suas vidas, mantendo as suas fortunas em segredo.
Agora, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), de que o Expresso é parceiro em Portugal, começou a publicar uma série de artigos baseados numa nova coleção - 11,9 milhões - de ficheiros confidenciais com informações sobre companhias offshore. Batizada com o nome Pandora Papers, a operação permitiu identificar os donos de 29 mil empresas offshore, em mais de 200 países — sendo a Rússia, o Reino Unido, a China e o Brasil os que possuem mais.
Nos ficheiros aparecem nomes de dezenas de líderes internacionais, como o primeiro-ministro da República Checa, que se autodenominava o “homem do povo” e fazia inflamados discursos contra a corrupção enquanto comprava em segredo uma propriedade luxuosa na Riviera Francesa; ou o Rei da Jordânia, que gastou 100 milhões na compra de casas luxuosas enquanto o seu país recebia ajuda externa; ou ainda o Presidente do Quénia, cuja família engrossava a fortuna de forma pouco clara enquanto ele preparava o regresso ao poder fazendo um discurso contra a corrupção.
Agora a resposta a uma pergunta que muitos leitores estarão a fazer: há portugueses? Há. Nos ficheiros dos Pandora Papers aparecem alguns. ESTÁ AQUI quem são três deles, no que estiveram envolvidos e que justificações deram ao Expresso.
E sim, o Grupo Espírito Santo volta a aparecer. A sociedade de advogados do Panamá que é um dos alvos da fuga de informação, conhecida pelo nome Alcogal, registou mais de 600 empresas de fachada para o núcleo de Ricardo Salgado e clientes do BES e tornou-se a preferida dos políticos: mais de metade dos políticos e funcionários públicos de todo o mundo que aparecem nos Pandora Papers estão associados a empresas incorporadas pela Alcogal.
A Caixa de Pandora está aberta e dela irão saindo novos artigos, que iremos publicando durante as próximas semanas.""
Os meus textos e os meus vídeos
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
"Abriu-se mais uma (grande) Caixa de Pandora"
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
Onde Estão?
De 2007 a 2015, o financiamento à banca (BPN, BES Novo Banco e BANIF), custou (fonte BdP) 12.600 milhões ao défice orçamental e 20.000 milhões à dívida pública. Aguardam-se os dados até ao início de 2019, mas é público que a CGD custou cerca 4.000 milhões em 2016 e 3.000 milhões em 2017. Também é seguro afirmar que os bancos valem cerca de 20% do valor injectado. É importante conhecer devedores, mas é curial recuperar capital. E com o que vamos vendo, e considerando as habituais cortinas de fumo, temos de ter respostas às repetidas acusações às classes médias e até a uma das franjas da pobreza: quem é que vivia acima das possibilidades? Quem é que está a pagar as imparidades (registado superior ao executável) e os empréstimos impossíveis de pagar? Onde é que continua o intocável dinheiro e a quem é que isso interessa?
Já se provou que encontrar responsáveis, e o respectivo capital, não é tão difícil como a imagem sugere. É apenas uma questão de meios, de vontade política e de mecanismos transparentes.
domingo, 1 de abril de 2018
Banca devolverá 20 mil milhões de euros já em Junho de 2018
A Associação de Bancos Portugueses comprometeu-se a "recuperar o capital desviado (em fuga aos impostos e imparidades) para offshores e devolver já em Junho de 2018 uma parte significativa (20 mil milhões de euros) dos contributos do estado". O Governo usará esse excedente orçamental para liquidar dívidas (credores internacionais com identidade e funcionários públicos) e normalizar os sectores sociais.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
das agências de raiting (as AR)
Quando as AR baixaram as classificações de Portugal, muitos consideraram-nas, e bem, instrumentos da ideologia política responsável pelo aumento das desigualdades. Ou seja, enquanto uns viam as AR ao serviço dos 1%, das multinacionais e dos offshores, outros defendiam a sua existência. Nesta fase, os primeiros elogiam as contas do país e os segundos perderam voz.
Na selva financeira vigente, Portugal recuperará alguma soberania se reduzir a dívida e melhorar a opinião das AR.
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
rever a matéria dada
A troika e as avaliações, os fanatismos ideológicos, o casino financeiro, os offshores, os paraísos fiscais instalados, e há muito, em países europeus, o experimentalismo a que sujeitaram Portugal, a febre dos mercados e os jogos de sombras que capturaram o orçamento do Estado, são algumas das razões que transportaram a manipulação para o auge.
Por mais que os mentores confessem erros, não existirá desculpa histórica. O prolongamento da crise de 2008 reforça a responsabilidade e as consequências tornam-na inapelável.
Recordo as 10 estratégias de manipulação enunciadas por Noam Chomsky. Publico as 4 primeiras.
"1. A estratégia da manipulação. O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".
2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3. A estratégia da gradação. Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4. A estratégia do diferido. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento."
2ª edição
segunda-feira, 3 de julho de 2017
"20 horas sem rondas de vigilância"
"Tancos esteve 20 horas sem rondas de vigilância na noite do assalto", diz o Público. Conhecem-se detalhes e conclui-se que os os cortes a eito escandalizam quando são mediatizados e graves (mas alguém tem que se explicar). Depois, há todo o abandono silencioso dos serviços públicos para gáudio de uma parte dos 99% que não se cansou de advogar o aumento da riqueza dos 1%; nunca tiveram olhos para as PPP´s nem para os offshores que diziam representar a superioridade moral da gestão pela "elite" financeira (pode substituir "elite" por oligarquia-que-capturou-o-orçamento-do-Estado). E insistem, para sossego de uma qualquer minoria.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Do Procedimento por Défices Excessivos
É um dia importante e responsabiliza a política pela imperdoável austeridade a eito iniciada em 2010. Agora, espera-se que o crescimento económico seja a "maré enchente que subirá todos os barcos" e não apenas os iates. Há uma barca quatrocentista (antecessora da caravela até 1434) a afundar-se com 2 milhões e 500 mil marinheiros no limiar da pobreza (meio milhão de crianças) e até o navio-escola, que viu atirados ao mar - no período austero de fortes ventos offshores - 42 mil dos 160 mil pedagogos, transborda de precários, congelados, remadores exauridos e reformados retardados.
Dombrovskis: “Este é um dia importante para Portugal”

domingo, 7 de maio de 2017
Macron e a esperança europeia
É inegável que a eleição de Macron representa a esperança numa alternativa que mantenha o estado social e a paz na Europa. A globalização associada aos offshores colocou as multinacionais num plano financeiro impossível de controlar nos territórios limitados dos governos; mesmo nos blocos como a Europa. A revolução tecnológica acentuou o domínio do financeiro em simultâneo com a afirmação das ideologias que capitalizaram numa Europa instabilizada pelos fluxos migratórios. O europeísmo entrou em crise. Como disse o filósofo francês Dominique Wolton, "a finança capturou a economia e a economia capturou a política". A Europa procura uma alternativa política para sobreviver e Macron renova a sentimento que há cinco anos acompanhou a eleição de Hollande. Desta vez, a decadência europeia está mais evidente depois da vitória do Brexit (e de Trump nos EUA?), agravada com os fracassos do citado Hollande, mas também de Renzi na Itália ou de Tsipras na Grécia. Contudo, existe a esperança portuguesa e adensa-se a expectativa com o que pode acontecer na Alemanha. Macron pode ser um passo em frente.
domingo, 12 de março de 2017
da adoração das "elites" e da escola
As "elites" portugueses são historicamente vocacionadas para castelos, palácios, mansões e demais obras faraónicas, o que explica as cíclicas falências da nação. Veja-se a CGD na sua opulenta sede e já com 4 mil milhões a voar, depois das mesmas "elites" terem delapidado a banca privada com os olhos nos salvíficos offshores. Quem paga? Em grande parte, os do costume: os que ergueram o edificado e que têm a escola assegurada para ler, escrever e contar. Ou seja, o povo que leia as maiúsculas (e os tablóides), que escreva redacções sobre o tempo e que faça a aritmética básica da boa consciência para o pagamento integral dos impostos.
Olhe-se para a imagem. O quadro de Domingos Sequeira, "A Adoração dos Magos", ficou no MNAA por subscrição popular, o que seria uma vergonha para as elites num país com escola. Basta atravessar a fronteira e ir ao Museu do Prado. Como escreveu, ontem no Expresso, Clara Ferreira Alves:
"(...)A grande arte providencia uma educação, não apenas estética.(...)a grande pintura, a grande arte, deviam ser obrigatórias nas escolas, tal como a educação musical. O currículo primário e secundário português, com as suas perguntas esdrúxulas nos exames a que nenhum adulto educado saberá responder, ignora olimpicamente a arte.(...)Uma parte da elite endinheirada e da direita política teima em considerar a arte e a cultura como propriedade da esquerda e não da humanidade".
Algo parecido se passa com o ensino das humanidades. E depois há uns servos que alinham neste jogo. É um fenómeno estranho e também histórico. Afirmam-se conservadores e supostamente exigentes para gáudio das "elites" ou alargam o currículo escolar de forma tão complexada que se enredam num emaranhado risível de organogramas justificativos.
Domingos Sequeira.
"A Adoração dos Magos".
Museu Nacional de Arte Antiga.
Lisboa.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
E é isto
No mesmo período em que o Estado injectou 4 mil milhões de euros no Novo Banco (o Governo da altura garantiu que seriam totalmente recuperáveis e agora sabe-se que voaram), o "fisco deixou sair 10 mil milhões para offshores, entre 2011 e 2014, sem vigiar as transferências". E é isto. Se um contribuinte se atrasar um dia no reembolso de 10 euros de acerto do IRS o fisco será implacável. O Estado é uma espécie de plataforma bancária que facilita a passagem do capital retirado aos contribuintes com destino aos offshores. E depois há quem se admire com a eleição, e não só, dos trump's deste mundo (também por cá, mesmo que numa versão muito mais suave, não nos iludamos) que, ainda por cima e por suprema ironia, são especialistas das ilegalidades e do desvio mediático das atenções.

sábado, 21 de janeiro de 2017
"Operação marquês" enquanto se guerreava professores?
António Costa, ministro entre 2005 e 2007, confessou uma guerra aos professores "decretada" em conselho de ministros por volta de 2005. O actual primeiro-ministro disse que foi um erro grave.
Ao ler a edição impressa do Expresso (primeira página, de 21/01/2017, na imagem) sobre a "operação marquês", custa a aceitar que, enquanto se movia a guerra obstinada aos professores da escola pública, o chefe desse Governo recebia (de acordo com a notícia), entre 2007 e 2008, cíclicas tranches de milhões num circuito corrupto que começava no GES e que passava por off-shores e pela Suíça até chegar ao tal amigo do destinatário. Veremos o que a justiça consegue provar. Nesse período, em que os professores lutavam isolados, destacavam-se os doutrinadores do "Compromisso Portugal". Essa "fina flor da elite financeira" apontava o GES e afins como exemplos da boa gestão e enaltecia a coragem governativa. Quem lê o texto do Expresso, reconhece algumas dessas figuras ligadas aos intermináveis episódios da "operação marquês" e fica com mais um nó no estômago.

terça-feira, 13 de setembro de 2016
Relacionar escolas com o lado ilegal (o maior) dos offshores?
As nossas "elites", por exemplo, são historicamente viciadas em viver à custa do trabalho dos outros. Foi assim durante três séculos com a escravatura, também com o ouro e as especiarias e até com o colonialismo. Na crise actual, os "desgraçados" são os pagadores de impostos e as políticas sociais.
Na saúde, os alarmes soam quando "começam" a morrer pessoas. Na justiça, há que manter os povos minimamente em ordem e na segurança social o objectivo é impedir que os descontinuados se aglomerem perigosamente. Na Educação, até se pode encher salas de aula, passar a vida em "reformas" para entreter o auditório, encerrar ou aglomerar escolas sem critério civilizado, manter números vergonhosos de analfabetismo ou aumentar o insucesso escolar em crianças e jovens. O que interessa é que os Dragui´s que controlam o protectorado se satisfaçam com a coluna excel da despesa e aprovem os sucessivos governos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Revisões
A troika e as avaliações, os fanatismos ideológicos, o casino financeiro, os offshores, os paraísos fiscais também, e há muito, instalados em países europeus, o experimentalismo a que sujeitaram Portugal, a febre dos mercados e os jogos de sombras que capturaram o orçamento do Estado são algumas das razões que transportaram a manipulação para um auge.
Por mais que os mentores confessem erros, não existirá desculpa histórica. O prolongamento da crise de 2008 reforça a responsabilidade e as consequências desastrosas tornam-na inapelável.
Recordo as 10 estratégias de manipulação enunciadas por Noam Chomsky. Publico as 4 primeiras.
"1. A estratégia da manipulação. O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".
2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3. A estratégia da gradação. Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4. A estratégia do diferido. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento."
domingo, 10 de abril de 2016
as escolas abrem todas
São diversos os ângulos do escândalo offshoriano da fuga aos impostos. As nossas "elites" são historicamente viciadas nestas trafulhices que, resumidamente, têm uma finalidade: viver à custa do trabalho dos outros. Foi assim durante três séculos com a escravatura, também com o ouro e as especiarias e até com o colonialismo. Desta vez, a coisa agrava-se nas democracias ocidentais e os "desgraçados" são os pagadores de impostos e as políticas sociais. Na saúde os alarmes soam quando "começam" a morrer pessoas, na justiça há que manter os povos minimamente em ordem e nos sistemas de segurança social o objectivo é impedir que os descontinuados se aglomerem perigosamente. Na Educação até se pode encher salas de aula, passar a vida em "reformas" para entreter o auditório, encerrar ou aglomerar escolas sem critério civilizado que se conheça, manter números vergonhosos de analfabetismo ou aumentar o insucesso escolar em crianças e jovens. O que interessa é que os Dragui´s que controlam o protectorado se satisfaçam com a coluna excel da despesa e tranquilizem os "desorientados" governos que se sucedem.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Mais perto do abismo?
Fui à procura do primeiro post sobre "vistos gold" (é de 22 de Fevereiro de 2014) e tem esta passagem: "(...)A bomba de neutrões, a última variante da bomba atómica, é um pequeno dispositivo termonuclear que destrói "apenas" organismos vivos. Nessa linha, o Goldman Sachs criou o subprime, também conhecido por crédito de neutrões, que endividou a classe média, levou-a à falência e recuperou o edificado intacto. Nesta altura, o Goldman Sachs lança outro produto do género, os vistos gold, que diz atrair a endinheirada classe média chinesa e afins e já a expõe a vendas especuladas à potência cinco.(...)".
A coisa complica-se. Basta seguir o trajecto habitual do capitalismo desregulado. Regras complexas e "necessidade" de acelerar processos a bem das nações e das economias. Repare-se nos offshores. Depois de tudo o que se tem passado, e de se saber que a vasta maioria dos utilizadores anda pela corrupção e pelas ilegalidades à volta de património, ainda ouvimos pessoas ligadas aos aparelhos partidários, como ontem na quadratura do círculo, a justificar a existência de offshores em nome de uma qualquer agilidade. E depois, umas bofetadas, ou umas arrojadas trumpianas, desviam as atenções e preenchem as primeiras páginas. Já nem sei que diga mais. Fico-me pelo título do post.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
duas perplexidades na educação
Na Suíça referendou-se a proibição dos imigrantes usarem o corta-unhas na sala de estar (a sério que sim; mas não fui ver como controlaram a proibição), mas, ao que saiba, nunca referendaram as lavandarias de dinheiro que por lá funcionam nem o uso e abuso dos offshores por parte da totalidade dos seus bancos.
O exemplo "a-estratosfera-afinal-é-acessível" é ubíquo.
Por cá, e no sistema escolar, li, perplexo, duas decisões:
O Governo quer que os jovens do secundário e do terceiro ciclo decidam sobre uma verba dos depauperados orçamentos escolares. A ideia de orçamento participativo (que existe nas crises graves das democracias representativas e que não se justifica nas democracias directas ou é redundante nos sistemas com muitos referendos como na Suíça) aplicada desta forma ou é consequente na recuperação da democracia nas escolas ou será considerada uma decisão de juvenis inexperientes ou estratosféricos.
A intenção de aplicar um regime especial de aposentação para os professores foi apoiada pelas mais diversas instituições, desde sindicatos a partidos políticos e passando por comissões especializadas da Assembleia da República. Houve um natural consenso. A proposta foi considerada sensata e justa. Só existiu uma voz contra. Tratou-se de uma organização de professores, o Conselho de Escolas, criada no mandato de Lurdes Rodrigues e composta por dirigentes escolares em exercício. Argumentaram com a desigualdade em relação a outros funcionários públicos. É, no mínimo, estranho.
terça-feira, 5 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Almodóvar no Panamá?!
Não gostei de Pedro Almodóvar aos papéis no Panamá. Já li umas justificações no El País. Acompanho há muito, e com muito interesse, o cineasta e recordo-me dos seus ataques ferozes ao capitalismo desregulado e aos offshores. Veremos como se explica. Mas tudo isto não significa que não canse um bocado o lançamento de pedras à esquerda e à direita. A superioridade moral na humanidade não me parece que dependa da ideologia. Há corrupção onde há humanos. É evidente que o capitalismo desregulado mostra que é ainda mais propício às fragilidades de carácter e que não olha a ideologias; digamos que é corrupção a eito.
segunda-feira, 30 de março de 2015
paz no futebol
O futebol pode estar em paz.
O BES, a PT, o BPI e por aí fora, como outrora o BPN, o BCP, o BANIF e os investidores GOLD do BPP, talvez não continuem a alimentar o poço sem fundo da industria do futebol, mas haverá sempre russos e árabes para juntar aos offshores regulamentados por quem cortou, corta e cortará a eito nos do costume.
É certo que cortam, mas também se reconheça que lhes dão alegria, emoções fortes e muito para pensar, imaginar, discutir, suspeitar, adivinhar, desmontar e até concordar. E convenhamos: o investimento no Ronaldo, por exemplo, tem um valor de mercado superior à despesa com uns 200 mil pensionistas.
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O discurso, em Davos, de Mark Carney, PM do Canadá, é corajoso. O texto - a prosa é mesmo sua e publico a tradução como recebi por email de...
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