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sábado, 13 de maio de 2017

ecologia e analogia

 


 


 


Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando cruzamos páginas do "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado (anos oitenta e noventa) com o passado recente português.


Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES. Também se soube que a santa casa da misericórdia foi providencial nos empregos para os assalariados do antigo arco governativo, cabendo a vez à direita. Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias nesta ecologia.


 


 


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DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

sábado, 21 de janeiro de 2017

"Operação marquês" enquanto se guerreava professores?

 


 


 


António Costa, ministro entre 2005 e 2007, confessou uma guerra aos professores "decretada" em conselho de ministros por volta de 2005. O actual primeiro-ministro disse que foi um erro grave.


Ao ler a edição impressa do Expresso (primeira página, de 21/01/2017, na imagem) sobre a "operação marquês", custa a aceitar que, enquanto se movia a guerra obstinada aos professores da escola pública, o chefe desse Governo recebia (de acordo com a notícia), entre 2007 e 2008, cíclicas tranches de milhões num circuito corrupto que começava no GES e que passava por off-shores e pela Suíça até chegar ao tal amigo do destinatário. Veremos o que a justiça consegue provar. Nesse período, em que os professores lutavam isolados, destacavam-se os doutrinadores do "Compromisso Portugal". Essa "fina flor da elite financeira" apontava o GES e afins como exemplos da boa gestão e enaltecia a coragem governativa. Quem lê o texto do Expresso, reconhece algumas dessas figuras ligadas aos intermináveis episódios da "operação marquês" e fica com mais um nó no estômago.


 


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sábado, 5 de março de 2016

José Gil em 2005

 


 


 


 


José Gil (2005:44) escreveu assim: “(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”



E mais à frente, Gil (2005:57), sublinha: “(...)duplo regime que vigora em serviços de toda a ordem. Ora se tenta inscrever freneticamente tudo, absolutamente tudo em actas, para que nada se perca, ora reina a maior negligência nos arquivos que ninguém consulta nem consultará (espera-se).(...)”


 




Gil, J. (2005). Portugal, hoje. O medo de existir.
Lisboa: Relógio D´Água


 


(É um livro de 2005 e confirmamos com muita


frequência a caracterização do duplo regime. Mas quem diria


que este retrato nos levaria a mais uma bancarrota


e que explicaria o perfil da malta do subprime, do BPN,


do BCP, do BPP, do BES, do Banif e do que mais virá.)


 


 


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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

ai se fosse para privatizar lucros

 


 


As nossas "elites" da alta finança são cómicas. Como o Novo Banco não permite privatização de lucros, bem pelo contrário, estabelece-se um manto de silêncio com as "ideias de nacionalização por parte da esquerda". Até Vìtor Bento já defende a nacionalização que, diga-se, até pode ter efeitos orçamentais positivos. Que tempos, realmente.


 


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quarta-feira, 22 de abril de 2015

do duplo regime

 


 


 


 


Gil (2005, p.44) caracteriza-nos assim: “(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”



E mais à frente, Gil (2005, p.57), sublinha: “(...)duplo regime que vigora em serviços de toda a ordem. Ora se tenta inscrever freneticamente tudo, absolutamente tudo em actas, para que nada se perca, ora reina a maior negligência nos arquivos que ninguém consulta nem consultará (espera-se).(...)”


 




Gil, J. (2005). Portugal, hoje. O medo de existir.
Lisboa: Relógio D´Água


 


(É um livro de 2005 e confirmamos com muita


frequência a caracterização do Filósofo. Mas quem diria


que este retrato nos levaria a mais uma bancarrota


e que explicaria o perfil da malta do subprime, do BPN,


do  BCP, do BPP e do BES)


 


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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

regresso ao país

 


 


 


As férias tiram-nos da rede e o regresso é sempre algo burocrático: centenas de emails e actualizações no blogue e nas redes sociais.


 


Um dos emails recomendava um vídeo que deixei a correr enquanto despachava outros assuntos. É, digamos assim, um vídeo sobre o caso BES que é elucidativo do estado do país.


 


 







quarta-feira, 20 de agosto de 2014

o país está no pano verde?

 


 


 


 


Não é recente a sensação de que o país está no pano verde. Os saldos no GES, mais propriamente no BES e nas empresas da saúde e dos seguros, deixam valores da comunidade à mercê do casino puro e duro. E convenhamos: os estados licenciaram os privados para o trio referido com base em dois pressupostos: geriam melhor, faziam mais com menos, portanto, e garantiam uma superioridade ética.


 


A exemplo dos "negócios" da água ou da luz, os denominados "pinga-pinga", o trio em questão obedecia a um simples raciocínio: os licenciados sentavam-se em cima do que recebiam (depósitos das poupanças, doenças ou seguros obrigatórios) e era impossível que saíssem a perder.


 


A entrada da troika coincidiu com a chegada ao poder de uma confessada ideologia radical crente nas virtudes do mercado desregulado. A propagação foi rápida e apoiada em tudo o que era mainstream. Mas mais: quem os antecedeu, achou que ficava "bem-seguir-a-ideologia-única". Os resultados estão aí e não há quem impeça o saque.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

as coisas que só o tempo consegue

 


 


 


 


 


 


 


 



 


 


 


Como estamos em tempo de verão e férias, as republicações aconselham-se. Em 5 de Março de 2010 fiz um post que intitulei como "Golpe" (texto que também foi publicado pela Gazeta das Caldas) e que me causou algumas incomodidades. As pessoas do mainstream acharam um exagero, mas o tempo lá vai fazendo das suas. Para além de republicar o texto, associei ao post a imagem acima que encontrei no blogue do Paulo Guinote. Se o caro leitor estiver para isso, olhe bem para as instituições que aparecem na imagem, leia o "Golpe" e conclua.


 


 


"A propósito da recente polémica à volta da desnorteada rede escolar do concelho das Caldas da Rainha, considerei oportuno tomar uma posição que pode ser lida nos seus vários níveis de intervenção.


 


Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e fatias menores), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s (parcerias público-privado,) ainda sem dono.



Vou fazer aqui um pequeno parêntesis para precisar que a fórmula PPP foi comprovadamente ruinosa para o estado, uma vez que os governantes assinavam contractos leoninos em benefício de empresas privadas para onde se passavam na primeira oportunidade, muitas vezes em comunhão espiritual com autarquias locais onde interrompiam obras integralmente públicas e já adjudicadas.



Desde a altura referida que as agendas mediáticas foram paulatinamente preenchidas pelo “tudo está mal na escola”, enquanto se edificavam escolas cooperativas em regime de excesso de oferta e em clima de quase mercado. Essa agenda foi levada até às últimas consequências, e com sonoro e central aplauso, a partir de 2005, através da destruição do poder democrático da escola.



Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. A mudança de agulha fez-se com a naturalidade de quem começa a dizer inverdades logo ao pequeno-almoço. Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa, com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a “parque escolar”. Estava quase tudo encenado para umas próximas legislativas e só faltava um detalhe precioso: somos os defensores da escola do estado e até retirámos financiamento aos nossos cooperativos que se dedicaram à privatização de lucros.



Os últimos tempos foram hilariantes (ou trágicos; é só escolher o lado). Ex-ministros do bloco central desceram da estratosfera e sentenciaram: escola do estado que seja pior fecha em favor da vizinha privada. Foi uma espécie de derradeiro serviço (consciente ou não), já que um deles até ameaçou desistir se a ideia não avançar de vez, numa intervenção que baralhou uma série de conceitos com a famigerada autonomia das escolas à mistura. Ao nível local foram convocados os inconscientes animadores de serviço.



Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado – tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos – inflacionaram as notas, colocaram professores sem concurso e em regime de amiguismo, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente e o país está no estado que se conhece."


 


 


 


 


 

domingo, 10 de agosto de 2014

a antecipação do espírito santo em dois minutos

 


 


 


As sociedades confiavam aos banqueiros as suas poupanças que as administravam em benefício próprio, das instituições bancárias e do desenvolvimento da sociedade. Era um jogo com a clareza possível e em que a elevação ética era o princípio primeiro. Existia uma espécie de lealdade blindada.


 


Em Portugal, e provavelmente noutros lados, essa superioridade moral deteriorou-se. Encontrei um vídeo recente com uma antecipação em dois minutos feita no parlamento português. Ninguém pode dizer que não foi avisado. A podridão era muita, em rede, sistémica e profunda.


 


 


 







quarta-feira, 6 de agosto de 2014

uma CGD forte, portuguesa e pública

 


 


 


 


Queremos uma Caixa Geral de Depósitos forte, portuguesa e pública, afirmou, sem pestanejar, na SICN a deputada do CDS Teresa Caeiro numa clara demonstração de que o neoliberalismo se está a desmoronar por ser mais um sistema político inumano. Esta mudança de 180 graus é previsível na direita dos interesses, mas ainda se fica à espera da voz dos patriotas do "Compromisso Portugal" que advogavam o esvaziamento em massa dos serviços públicos. Percebe-se cada vez melhor o destino desse corte na escola pública (o alvo prioritário) e só se consegue elogiar a teatralidade desses saqueadores do bem comum.


 


 


 

Dos resíduos e do submundo que nos rodeia

 


 


 


 


 


Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando lemos páginas sobre o "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado e o cruzamos com o presente lusitano.


 


Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES (a malta do casino não se solidariza com a queda dos parceiros) e também se conheceu o óbvio: a santa casa da misericórdia, comandada por Santana Lopes, é providencial nos empregos para os assalariados do arco governativo cabendo a vez à aliança democrática.


 


Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias no submundo da barbárie em que vivemos; mesmo naquela que professa uma qualquer santa misericórdia.


 


 


 


 


 


 


 


 


DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.


 


 


 


 


 


 


 

mas o mercado não era deus?

 


 


 


 



 


 



 


 


 


 


 


 


 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

o arco tergiversa e vê-se ao espelho

 


 


 


 


Enquanto muitas pessoas vêem as finanças pessoais em perigo ou os empregos ameaçados por causa dos gangsters da bancocracia, há uma malta do arco governativo que tergiversa a propósito do que se denomina por conselho de ministros electrónico ao Domingo por causa do caso BES. Parece que os ministros usam o email uma vez que a presença física não é, naturalmente, sempre viável. Fazer disto caso é impreparação ou tergiversação no estilo denunciado há muito por Noam Chomsky.


 


Sócrates parece mais "gangster" do que Passos, mas os casos BPN e BES equiparam-se e o segundo "compensa" com o radicalismo ideológico. Teixeira dos Santos, o tal que dizia que estas coisas eram amendoins e que os despedimentos de professores é que cortavam na despesa, agiu ao nível de Maria Luís Albuquerque. Costa do BdP supervisionou tanto como Constâncio (e até estaria mais avisado). Há escritórios de advogados em tons rosa ou laranja e por aí fora e há momentos em que não adianta tentar passar pelos pingos da chuva, nem sequer para os abstencionistas violentos ou silenciosos profundos.


 


Consta que os mestres deste submundo do capitalismo, ou saque se se quiser ser mais rigoroso, têm uma sede em Berlim que é conhecida por Titanic.


 


 



 


 


 



 


 


 


 


Imagens obtidas na rede sem referência ao autor.


 


 


 


 


 

domingo, 3 de agosto de 2014

uma semanita

 


 


 


 


Depois de uma semana quase sem qualquer ligação à rede, o regresso, mesmo que fugaz, deixa-nos rapidamente enojados com o contexto do BES. Esta malta da "alta" finança é mesmo despudorada: na forma como saca e na lata com que argumenta. E o que mais custa é ouvir as declarações dos serviçais e dos opositores do costume.


 


Até os pássaros se deviam indignar.


 


 



 


 


 


Pássaro europeu. Julho de 2014.


 


 


 


 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

do haircut do GES

 


 


 


 


Quando há uma falência, é preciso determinar os passivos e os activos e calcular a percentagem da dívida que não será satisfeita: a reestruturação. É isso que já se deve estar a fazer com o GES e que se denomina por haircut. É sempre isso que se faz. Há, todavia, excepções: a Grécia e Portugal. O segundo foi mesmo um bom aluno que satisfez os mercados que não se cansam de premiar os governantes lusitanos.


 

sábado, 26 de julho de 2014

das crenças e de outras coisas mais

 


 


 


 


 


Impressionaram-me os masoquistas da classe média que defenderam os corruptos (estou a pesar bem a escrita), e os seus serviçais, convencidos que eram liberais de direita ou de uma qualquer terceira via. E nesse grupo incluíram-se muitos professores. É claro que a coberto da ingenuidade navegou muito oportunismo.


 


Já ninguém duvida que "o verdadeiro objectivo dos "planos de resgate" foi salvar bancos" com prémios no modelo-gaspar, luís albuquerque ou nos inúmeros exemplos conhecidos e nos que se seguirão, com o contributo do inefável alinhamento das agências de raiting (a dívida lusitana não pára de aumentar e dos 741 mil milhões 63% são privados) e com os mentores a serem defendidos e eleitos pelas vítimas do saque em nome de um liberalismo que porá Adam Smith perplexo. Há consciências à volta da corrupção que só Freud explicará.


 


 



 


 


 


 


 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

nuno crato trocou os locais de detonação

 


 


 


O sistema escolar português é um bocado azarado. Depois de uma equipa ministerial especializada em propaganda no modelo do célebre ministro iraquiano, chegou Nuno Crato - o assumido especialista em minas e armadilhas e implosões -. Prometeu implodir o MEC, mas tem estado a fazê-lo às escolas públicas e aos seus alunos e professores. Ao que parece, a troca dos locais de detonação continua: implodiu o GES com um detonador que devia ser destinado à sua equipa no MEC por causa da prova de ingresso para os professores contratados. O calendário faz supor que assim foi.


 


 



 


 


 


 


 


 

dos presentes e do bes