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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Manifesto - Pela verdade dos Factos

 


 


 


Manifesto_pela verdade dos factos.png


 


Manifesto - Pela Verdade dos Factos


 


Como Professores, membros da comunidade educativa e autores de diversos espaços de discussão sobre educação, temos opiniões livres e diversificadas.


Porém, não podemos ficar indiferentes quando está a ser orquestrada uma tão vil e manipuladora campanha de intoxicação da opinião pública, atacando os professores com base em falsidades.


Tais falsidades, proferidas sem o devido contraditório, por membros do Governo e comentadores, deveriam ser desmontadas com factos e não cobertas ou reforçadas pelo silêncio da comunicação social, que deveria estar mais bem preparada para que a opinião pública fosse informada e não sujeita a manobras de propaganda.


Serve este manifesto para repor a verdade dos factos:


 



  • O Governo, pelo Ministério da Educação, a 18 de novembro de 2017, assinou um acordo com os sindicatos de professores, onde se comprometeu a recuperar todo o tempo de serviço.É, por isso, falsoque essa intenção seja uma conspiração da oposição ou resulte de uma ilusão criada pelos sindicatos de professores.

  • A recuperação total do tempo de serviço também foi proposta pelo PS.O PS,em dezembro de 2017, recomendou a total recuperação do tempo de serviço, conforme se pode verificar no diário da república (Resolução da Assembleia da República n.º 1/2018). É,por isso,falsoque o PS nunca apoiou a recuperação integral do tempo de serviço congelado.

  • Os valores apresentados pelo Governo sobre o custo da recuperação do tempo de serviço docente são falsos. Foi prometida há perto de um ano uma comissão para calcular os custos reais e até hoje não conhecemos o resultado do seu trabalho. Os números reais que estimamos, líquidos, rondam os 50 milhões de euros anuais, caso se opte pela solução da Região Autónoma da Madeira,de recuperar os 9 anos, 4 meses e 2 dias, no prazo de 7 anos. O Governo já apresentou por diversas vezes contas inflacionadas, com totais baseados em médias erróneas. Um grupo de professores verificou-as e constatou, segmentando os dados, a sua falsidade (https://guinote.wordpress.com/2019/01/21/as-nossas-contas/). Ora, uma mentira dita muitas vezes nunca se transformará em verdade.

  • A recuperação dos 2 anos, 9 meses e 18 dias em 2019 foi proposta do Ministério da Educação. Aliás, um recente decreto-lei do governo, que ainda aguarda promulgação, apresentou a possibilidade a todos os professores de recuperar parte desse tempo já em 2019. É, por isso, falsoque o Governo não tenha verba no orçamento de 2019 para recuperar parte do tempo de serviço congelado. E,se o decreto do Governo é constitucional, então qualquer lei que a AR apresente, afirmando algo semelhante, também será.

  • A recente proposta aprovada na Comissão da Educação não altera um cêntimo ao Orçamento de Estado de 2019. O orçamento de 2020 ficará a cargo de próximo Governo, ainda por decidir nas próximas legislativas.

  • A proposta que tanta perturbação criou ao atual Governo e seus seguidores mediáticos nem traz nada de especial: a negociação continuará, ficando apenas assumido que, em parcelas e gradualmente, os 9 anos são para considerar na carreira (e nãodevolver”, termo que cria a ilusão falsade que se vai pagar o que ficou perdido para trás e que nunca ninguém pediu). Os professores perderam milhares de milhões com os cortes salariais durante a crise financeira, mas é falsoque seja recuperar isso que está a ser discutido. O que se discute agora é se o tempo de trabalho efetivamente prestado desaparece (ou não) da carreira dos professores.

  • O Primeiro- Ministro, na sua declaração de eventual e coativa demissão, falou em falta de equidade e que a votação parlamentar punha em causa a credibilidade internacional. Lembre-se que mesmo as contas inflacionadas do Governo apontam apenas para um acréscimo no défice de 0,2 a 0,3 pontos percentuais. Quanto à credibilidade internacional, não foram os salários dos professores e restantes funcionários públicos que levaram a uma intervenção por parte da Troika. Aos bancos, que agora se descobre que foram causa primeira do descalabro financeiro, por via de empréstimos e investimentos ruinosos, nunca é contestado qualquer capital para novas injeções financeiras, nem se alega falta de credibilidade internacional por se continuar sem apurar responsabilidades.


 


O passado mostra que não se ganham eleições a vilipendiar um dos grupos profissionais mais estimados pelos portugueses. Nem repetindo falsidades para amesquinhar um grupo profissional que tem mostrado dignidade na luta, na adversidade e na solidariedade com o todo nacional.


Mas isso não anula a verdade simples: os portugueses em geral, mesmo os que não conseguem passar a barragem da comunicação social para se expressar, respeitam e compreendem os professores e não vão ser enganados por políticos que acham que, com barulheira e falsidades, se faz mais uma habilidade para evitar insucessos eleitorais.


Há coisas mais importantes que contar os votos da próxima eleição. Uma delas é o respeito pela verdade e pela dignidade de uma classe profissional que todos os dias dá o seu melhor pela formação dos futuros cidadãos.  


 


Portugal, 6 de maio de 2019


 


Subscrevem (por ordem alfabética):


Anabela Magalhães


Escola Portuguesa


Assistente Técnico


Blog DeAr Lindo


Atenta Inquietude


ComRegras


Correntes


Escolarizar


Na Minha Opinião


O Meu Quintal


Primeiro Ciclo


Professores Lusos

terça-feira, 5 de julho de 2016

Debater - férias escolares

 


 


 


Na sequência do manifesto assinado por vários blogues, decidiu-se que todos os meses se debateria um assunto comum lançado a partir do blogue ComRegrasEste mês, o tema é "as férias escolares".


 


Confesso que o tema me motiva alguns destinos: Helsínquia, Oviedo, Bilbau, Porto, Chaves e mais uns quantos. Três ou quatro serão concretizados. Bem sei que vivemos no país da "escola transbordante", da "escola faz tudo", da "escola com insuportável caderno de encargos" e da sociedade ausente. Esta última continua a não saber o que fazer às crianças e aos tempos livres. Passa a vida a perorar com a ausência de espaço e tempo para brincar, mas só pensa em armazenar e institucionalizar e com uma agravante: estabelece um calendário escolar que aceita com dificuldade algumas características geográficas, e ignora outras, enquanto a mediatização impõe a comparação com o incomparável.


 


Debater-Escola-Pública.png


 


Outros contributos (em actualização):


O Meu Quintal


Atenta Inquietude


Coisas das Aulas


Escola Portuguesa


Assistente Técnico

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O manifesto 2.0 - pela comunicação social e o futuro

 


 


 


É evidente que o manifesto dos blogues da Educação terá desenvolvimentos. Espero, ainda esta semana, fazer outro post sobre o assunto. 


 


O Expresso viu a acção assim: "Blogues da Educação juntam-se "pela Escola Pública". O Público noticiou do seguinte modo: "Escola Pública deve ter margem para se autogovernar, defendem professores". O blogue "ComRegras" analisa o "E depois do manifesto?". O blogue "O meu quintal" analisa "E depois?"


 


E com todo respeito pela coragem informada do actual Governo numa pequena parcela da Educação, há todo um universo para mudar e, em muitos casos, para além dos orçamentos; ou ainda, investimentos que resultam em melhores orçamentos.


 


 


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terça-feira, 21 de junho de 2016

Pela Escola Pública - Manifesto

 


 


 


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Pela Escola Pública


 


 


Enquanto membros da comunidade educativa e autores de diversos blogues de educação, temos opiniões livres e diversificadas. Porém, a Escola Pública, sendo um pilar social, merece o nosso esforço para nos unirmos no essencial. Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública.


A Constituição da República Portuguesa explicita o quadro de princípios em que o Estado, como detentor do poder que advém dos cidadãos, tem de atuar em matéria educativa. O desinvestimento verificado nos últimos anos, bem como a deriva de políticas educativas, em matérias como a gestão de recursos humanos ou a organização e funcionamento das escolas e agrupamentos, tem ameaçado seriamente a qualidade de resposta da Escola Pública.


Importa por isso centrar o debate público nos seus fundamentos:


Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito e estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;


Considerando o nível de desigualdade social instalado importa aprofundar um trajecto de gratuitidade dos manuais escolares e um reforço da acção social escolar.


Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar;


Dada a importância confirmada do acesso e frequência de educação pré-escolar é fundamental garantir a sua universalização geográfica e economicamente acessível a todas as crianças.


Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo;


O ainda baixo nível de qualificação da população activa em Portugal exige uma opção política séria e competente em matéria de educação permanente e de qualificação.


Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística;


Para que Portugal possa atingir os níveis de qualificação de nível superior definidos no quadro da União Europeia, é fundamental que se assegure uma política em matéria de bolsas de estudo. Portugal é um dos países da União Europeia em que a parte assumida pelas famílias nos custos de frequência de ensino superior é mais elevada.


Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais;


A resposta de escolas e agrupamentos às especificidades das comunidades educativas que servem exige um reforço sério da sua autonomia. A centralização burocratizada e um caminho de municipalização que mantenha a falta de autonomia das escolas irá comprometer esse propósito. A autonomia das escolas deve contemplar matéria de natureza curricular, organizacional e de funcionamento escolar, bem como recuperar e reforçar a sua gestão participada e democrática.


Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, quando necessário;


Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades;


A promoção de uma educação verdadeiramente assente em princípios de inclusão exige meios humanos, docentes e técnicos, apoio às famílias, revisão do quadro legislativo que suporta a presença de alunos com Necessidades Educativas Especiais nas escolas, autonomia de escolas e agrupamentos.


Nos últimos anos a Escola Pública, instrumento para que os deveres constitucionais do Estado sejam cumpridos no domínio da Educação, tem sido sujeita a múltiplas dificuldades, com cortes, com lançamento em cascata de medidas que a burocratizam de forma doentia e tentam degradar ou desvalorizar com base em rankings, diversos e dispersos, onde se compara o incomparável, muitas vezes baseados em frágeis indicadores administrativos e funcionais, e não pedagógicos ou educacionais.


A valorização social e profissional do corpo docente e não docente, em diferentes dimensões, é uma ferramenta imprescindível e a base para um sistema educativo com mais qualidade.


A Escola Pública precisa de mais respeito, mais atenção, mais investimento e mais capacidade de, sendo pública, de todos e a todos acessível, sem outro dono que não o povo português, ter margem para se autogovernar e se adaptar a cada comunidade local, sem se esquecer que existe para cumprir objetivos nacionais fundamentais.


 


 


Portugal, 21 de Junho de 2016


 


 


Subscrevem (por ordem alfabética):


Alexandre Henriques – ComRegras


Anabela Magalhães - Anabela Magalhães


António Duarte - Escola Portuguesa


Assistente Técnico


Aventar


Blog DeAr Lindo


Duilio Coelho - Primeiro Ciclo


José Morgado - Atenta Inquietude


Luís Braga - Visto da Província


Luís Costa - Bravio


Manuel Cabeça - Coisas das Aulas


Nuno Domingues - Educar a Educação


Paulo Guinote - O Meu Quintal


Paulo Prudêncio - Correntes


Ricardo Montes - Professores Lusos


quarta-feira, 26 de junho de 2013

ontem, pelas caldas da rainha

 


 


 



 Imagem recolhida no facebook de João Duarte.


 


 


 


Ontem, pelas 21h00, realizou-se uma interessante manifestação nas Caldas da Rainha a favor da escola pública onde se divulgou, a par de outras acções, o manifesto que pode ler a seguir.


 


 




MANIFESTO



POR UM PAÍS COM FUTURO, EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA PARA TODOS. 


 


 



"Sendo um dos pilares de uma sociedade democrática, a Escola Pública enfrenta hoje um dos piores momentos da história da nossa democracia. A crise económica e financeira está a servir de pretexto ao actual governo para desenvolver políticas educativas que se traduzirão num profundo retrocesso da Educação para Todos, contrariando um dos Objectivos do Milénio da ONU e o compromisso com a UNESCO.

É em defesa de uma Escola Pública verdadeiramente inclusiva e de qualidade, é pela valorização dos Professores, da sua dignidade profissional e do seu trabalho diário, que os professores/cidadãos afirmam a urgência de pôr fim à política educativa seguida pelo Ministério da Educação e Ciência, destacando como extremamente nefastas e gravosas as medidas que seguidamente se enunciam:

1. A diminuição do investimento na educação (2009 – 5,9% do PIB; 2012 – 3,9% do PIB; média da OCDE – 6,2% do PIB);
2. A criação de mega-agrupamentos, pela instabilidade que vieram criar nas escolas, nos alunos e nas famílias, conduzindo à existência de escolas geograficamente isoladas e distantes da sua sede e, consequentemente, dos seus órgãos de gestão, bem como ao desrespeito pela especificidade e características de cada escola e da sua população;
3. A constituição de turmas com elevado número de alunos, o que dificulta a individualização de estratégias, inviabiliza a operacionalização de diferenciação pedagógica, diminui a disponibilidade de interacção professor/aluno e potencia a indisciplina;
4. A definição de um mínimo de 20 alunos para o funcionamento de disciplinas de opção, o que limita grosseiramente as opções reais dos alunos;
5. A atribuição de maior número de créditos horários a escolas com melhores resultados nos exames – as escolas que necessitam de mais horas para apoiar os seus alunos são as escolas com menos sucesso, normalmente escolas frequentadas por alunos de classe baixa ou média/baixa sem possibilidades económicas de procurar apoios fora da escola;
6. A imposição constante de alterações curriculares sem fundamentos pedagógicos, pois ignoram, não só, a experiência de quem está no terreno, como as recomendações das associações profissionais de cada especialidade e de estudos internacionalmente reconhecidos;
7. A contínua falta de recursos materiais e humanos necessários à promoção de uma efectiva escola inclusiva – terapeutas vários, psicólogos, assistentes sociais, docentes de educação especial – para que os apoios efectivamente necessários a alunos com necessidades educativas especiais ou a alunos com uma situação familiar frágil, possam ser disponibilizados;
8. O não reconhecimento de todas as actividades desenvolvidas com os alunos como actividade lectiva - situação vergonhosa, que simula uma realidade não verídica, conduzindo a maioria dos professores a muito mais do que 25h/22h semanais de trabalho directo com os alunos e, consequentemente, a muito mais do que 35h semanais de trabalho docente efectivo (trabalho que inclui: investigação e actualização científico-pedagógica, preparação de aulas, elaboração de materiais, correcção de trabalhos e portefólios, elaboração e correcção de testes, avaliação e reavaliação de alunos, reuniões, actividades extracurriculares, preparação e participação em visitas de estudo, desempenho de cargos como o de direcção de turma e outros, trabalho burocrático diversificado, vigilância e classificação de exames);
9. O anúncio do aumento do horário de trabalho dos professores de 35 para 40 horas – os números mostram que, em Portugal, 51% do tempo regulamentar de trabalho dos professores do secundário é dedicado a dar aulas, quando a média da OCDE é só de 39% (dados do relatório da OCDE “Education at a Glance”, 2013). No básico (1.º e 2.º ciclos), por exemplo, são 880 horas por ano (em Portugal) contra 790 (média OCDE).
10. O anunciado fim da redução da componente lectiva por antiguidade (art. 79º, do ECD), que revela um desrespeito inadmissível pelo sempre reconhecido e atestado desgaste profissional que o desempenho de funções docentes acarreta e pelas nefastas consequências que tal medida seguramente trará para a qualidade do ensino;
11. A criação de falsos horários zero, como resultado de medidas como as enunciadas anteriormente, situação esta que contribui significativamente para o esvaziamento das escolas de recursos humanos experientes necessários à efectiva promoção de serviços educativos de qualidade; 
12. O despedimento de milhares de professores contratados com inúmeros anos de serviço, os quais preencheram continuamente necessidades permanentes do sistema, nunca tendo visto reconhecido qualquer vínculo profissional. Estes professores continuam a ser necessários às escolas, devendo-se o seu afastamento a reformas curriculares que visaram apenas a redução de recursos humanos;
13. A requalificação profissional e/ou mobilidade especial, porque os docentes são necessários nas escolas, estando o actual governo, através de medidas com fins apenas economicistas, a conduzir um elevado número de professores a uma situação de desemprego;
14. A manutenção do financiamento de contratos de associação com grupos privados quando, no mesmo espaço geográfico, existem escolas da rede pública com capacidade de resposta para um número significativo das turmas contratualizadas, a exemplo do que acontece no concelho das Caldas da Rainha. Esta situação desrespeita a legislação subjacente à celebração de contratos de associação e traduz-se numa duplicação da despesa do Estado, situação que, para além de reflectir uma gestão danosa de recursos públicos, é particularmente grave na época de crise económica e financeira que vivemos. 
Face à gravidade do anteriormente exposto, os professores/cidadãos que se revêem nos princípios e valores da Escola Pública, propõem-se: 
1. Exigir uma aposta clara na Educação enquanto sector fundamental de um Estado democrático e solidário, promotor de igualdade de oportunidades a todos os seus cidadãos. Como sublinhou e defende a presidente do Conselho Nacional de Educação, a aposta na Educação para Todos é fundamental em tempo de crise, afirmando: “Não temos petróleo, nem ouro. Temos pessoas”;
2. Exigir o reconhecimento político de que cabe à Escola Pública o desígnio fundamental de preparar as futuras gerações, as quais se pretende que sejam o mais capazes possível, a fim de poderem contribuir, tal como as antecessoras, para o progressivo desenvolvimento do país;
3. Exigir uma política educativa que invista na Educação, de modo a promover uma efectiva qualidade do sistema de ensino público, garantindo uma verdadeira igualdade de oportunidades;
4. Exigir que todas as actividades desenvolvidas com os alunos sejam incluídas na componente lectiva;
5. Rejeitar em absoluto o aumento do horário de trabalho lectivo e/ou não lectivo dos professores, por ser incompatível com um trabalho docente digno e profissional. 
6. Rejeitar em absoluto a integração de qualquer professor na chamada mobilidade especial/requalificação profissional por considerar que não há absolutamente professores a mais na escola. De facto, há professores a menos para se poder dar uma resposta adequada às exigências colocadas pela especificidade dos diferentes alunos;
7. Exigir uma adequada definição da rede escolar no concelho das Caldas da Rainha, em cumprimento dos normativos legais, de modo a que, havendo capacidade de resposta por parte das escolas da rede pública, não sejam celebrados contratos de associação, evitando assim, também, o subaproveitamento dos recursos públicos. Exigir, em complemento, a devida fiscalização por parte do Ministério da Educação e Ciência."


 



Caldas da Rainha, 25 de Junho de 2013

terça-feira, 6 de julho de 2010

manifesto pela cidade imaginária

 


 



 


 


 


Um texto imperdível. Aqui e de seguida.


 


"Cidade imaginária



O património permite-nos cartografar a cidade, com uma cartografia afectiva e culta. Mas ele não é o único elemento dessa cartografia, e não pode ser concebido como o elemento imutável. O património vive, mas não tem vida própria. Produz valores, é certo, mas é o contexto que os explicita e os projecta.
A memória de uma cidade está nos seus museus, mas tem de estar também nas suas ruas, praças, mercados, fachadas, gente. Nas suas esquinas. “A cidade não conta o seu passado, contém-no como as linhas da mão, escrito nas esquinas das ruas, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos postes das bandeiras, em cada segmento marcado por sua vez de arranhões, riscos, cortes e entalhes” (Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, Lisboa, 1997).
A memória de uma cidade não pode viver do efémero comemoracionista ou do album de fotografias. A memória de uma cidade é um contínuo de gerações, em que cada uma herda e acrescenta à herança o seu próprio sonho, o seu próprio desejo de futuro. A memória e o património são um elemento do metabolismo das cidades, não um entrave ao progresso.
Usando uma linguagem pedida de empréstimo ao Padre António Vieira, diria que o passado contém profecias sobre o futuro. À medida que elas se cumprem, o que era promessa torna-se realidade, ou seja “discurso e boa razão”. O "discurso e boa razão" lança nova luz sobre o passado, dispensando a fé como critério de adesão. “Até agora” - pregava o jesuíta à côrte da Restauração, em 1642, dois anos após a recuperação do trono por uma linhagem portuguesa – “era necessária pia afeição para dar fé às nossas profecias, mas hoje basta o discurso e boa razão, porque os efeitos presentes das passadas são novas profecias dos futuros” (Sermões, I, edição Sá da Costa).
É por isso que não há cidade histórica sem cidade imaginária. A cidade imaginária é dinâmica, porque reflecte, é reflexiva não é um puro reflexo.
Uma cidade é um cruzamento de gerações e de espíritos, espíritos de lugar. Por isso é que a sua riqueza se alimenta do imaginário.
O património é sobretudo um produtor de imaginário. Não podemos prescindir dele, é ele que ajuda a criar o nosso futuro. Deixa-nos mais livres, resolve-nos as questões da herança e do seu peso, porventura excessivo, se o não soubermos seleccionar e adaptar. Temos que saber lidar com o património para podermos mudar, e mudar bem.
A cidade imaginária baseia-se no conhecimento. Desoculta o passado que parecia escondido, sepultado, e considera-o digno de compreensão e vida. Torna menos nebuloso o futuro, ao qual procura transmitir claridade e, afinal, sopro, inspiração, por um lado, continuidade e segurança, por outro.
Siegfried Lenz, no seu célebre romance Heritage, refere-se à terra natal, não como o lugar onde estão enterrados os nossos antepassados, mas como o lugar onde lançamos as nossas raízes. Elas podem ser produto da imaginação. “Para te ajudar a compreender isto tudo" - diz Ziegmunt Rogalla, retido na cama do hospital, em consequência das queimaduras recebidas durante o fogo do Museu histórico masuriano, ao jovem que o escuta - "para te ajudar a compreender tudo isto pede à Henrike que te fale da nossa pátria. A terra natal pode ser um sítio onde nunca tenhas ido, nota bem. No caso dela, criou muitas imagens a partir da imaginação e de informações que recolheu. Talvez tenha uma visão mais pura do que nós, os velhos que lá vivemos”.
Sem a cidade imaginária, fica a cidade material, a que se vê, a horrível cidade triste e decadente, pequenina e onde todos se vêem a todos. Ora nós precisamos, como escreveu Paulo Cunha e Silva nas suas crónicas do Diário de Notícias (2003), da cidade onde somos espírito, onde nos podemos encastrar, desaparecer sem ser vistos, apesar de podermos (e gostarmos de o ser) reconhecidos.
A cidade imaginária é a cidade que pensa sobre si própria, que reflecte sobre a sua identidade, sabendo que o que foi não é o que será, embora faça parte do que pode vir a ser.
A cidade imaginária é a cidade que se alimenta, não da contemplação mas do diálogo com os outros, os de antes e os de agora, cidade que não se limita a responder a situações, mas as antecipa.
A cidade imaginária não tem medo de interrogar os outros, de estabelecer laços com outras cidades, de criar um vaivem, de se confrontar com a diversidade. A cidade imaginária é uma cidade aberta, porque não ficou prisioneira de si mesma, não se deixou manietar pela tradição, nem alienar pelo folclore.
A cidade imaginária é uma cidade de cultura. Onde a cultura não é parente pobre que só se senta à mesa em dias especiais, mas um parceiro leal, credível, de todos os dias. A cultura permite-nos ver para além de nós e da nossa pequenina circunstância. Olhamos de outro ponto, para dentro e para fora. Ganhamos dimensão, desejo, escala, superamo-nos. Pela cultura garantimos generosidade, única arma contra a mesquinhez, falta de visão e de ambição.
A cidade imaginária é a que tira partido das raízes, da memória genética, que a desenvolve, que inova, que refaz os desígnios e alicia os protagonistas para a sua partilha.
A cidade imaginária repudia a indiferença e a resignação, não se importa de correr riscos, de perturbar, de acrescentar, de ousar, de marcar presença.
A cidade imaginária é aquela em que “os vivos pedem para depois de mortos um destino diferente do que lhes calhou” (Italo Calvino, outra vez). Mas para isso têm de reconhecer a cidade em que viveram.
Quando virámos costas à cidade histórica, construímos uma outra cidade, mais individualista, mais hedonista, mais indiferenciada, mais agressiva, menos apropriável.
A cidade imaginária é democrática, é toda a cidade e não a cidade dos poderes, sejam eles técnicos ou políticos. É a cidade onde todos participam no problema e todos participam na solução.
É uma cidade de pessoas, não de objectos."



sexta-feira, 11 de junho de 2010

Manifesto

 


 


Professores que leccionam nas actividades de enriquecimento curricular em Mafra, publicam o manifesto que pode ler de seguida de forma resumida e aqui na totalidade.


 


 


Excelentíssimos Senhores,




Somos um grupo de profissionais responsáveis pelas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no Agrupamento de Escolas de Mafra e vimos por intermédio da carta aberta anexada informa-los da acção de sensibilização que levaremos a cabo na próxima segunda-feira dia 14 de Junho entre as 8:30 e as 11 da manhã em frente à EB1 Hélia Correia em Mafra.


A referida acção pretende alertar para a necessidade de uma intervenção efectiva por parte das instâncias responsáveis com vista à futura melhoria das condições laborais de profunda precariedade a que a nossa classe docente tem estado sujeita.


 


Como referido, em anexo segue o nosso manifesto o qual, sendo uma carta aberta, foi também enviado a todos os interessados e implicados na organização destas actividades.


Agradecemos o Vosso acompanhamento desta acção e desta problemática.


Um grupo de profissionais das AEC do Agrupamento de Escolas de Mafra.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

circunstâncias pessoais e contra uma mistificação (reedição)

 


 


(encontrei esta imagem aqui)


 


(Republico este texto por questões que só a mim me dizem respeito. A 1ª edição ocorreu a 19 de Junho de 2009).


 


Subscrevi um pequeno texto (contra a avaliação de docentes enquanto mistificação) que tem gerado alguma polémica no seio da justa luta dos professores. A sua primeira publicação ocorreu na edição impressa do jornal público do dia 13 de Junho de 2009. Seguiu-se a divulgação pelos diversos blogues de professores e retive-me numa leitura atenta dos diversos comentários. Mantive uma silente contenção e esperei que a poeira assentasse um pouco. Já se sabe que neste tempo de turbilhão informativo e de vórtice inaudito as partículas granulosas não teimam em regressar ao sossego; e o meu cérebro exige-me disciplina.


 


Talvez nem perca muito com esta decisão de apenas entregar o relatório crítico de avaliação como sempre fiz. Se for penalizado pelo não preenchimento da ficha de auto-avaliação é algo que só a mim me diz respeito. De pouco me vale invocar os valores monetários que fui desperdiçando ao longo da vida em nome da coerência de ideias ou de atitudes. Os que me conhecem sabem que sou tolerante e diplomata, mas que também me regulo por uma firme e determinada exigência individual com total respeito pelas posições dos que convivem comigo. Não adiantaria invocar, ainda, outros momentos da minha vida onde algo de semelhante aconteceu; e nem sempre venci. 


 


Subscrevi o texto em causa por solidariedade com quem o fazia, com a intenção de o fazer quase sempre às causas e aos amigos e para reafirmar a coerência em não participar na mistificação em que se inscreve o actual modelo de avaliação. Transmiti isto aos meus colegas assinantes. 


 


Sei que posso parecer exorbitante com isto que estou a escrever. Mas é assim. E nada mais acrescentarei no domínio das minhas circunstâncias individuais. Nem herói nem mártir como sempre fiz questão de afirmar.


 


Tenho, naturalmente, muito mais palavras para escrever sobre a auto-avaliação em termos técnicos, políticos e jurídicos. Darei conta de tudo isso quando os meus critérios julgarem oportuno.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

13 magníficos

 


 



Foi daqui. 


 


 


Recebi um email da colega Ana Lima do blogue "O vento que passa". Pede-me a Ana que vá ler a "carta aberta" que publicou, aqui, em que faz uma crítica aos treze colegas, em que me incluí, que assinaram uma moção como uma declaração pública de não entrega da ficha de auto-avaliação. Já reparei que o assunto tem provocado alguma polémica na blogosfera. 


Uns dias após a publicação do manifesto, escrevi um texto que fui buscar e que colo de seguida. Tenho todo o respeito pela Ana Lima, mas nada mais tenho a acrescentar sobre o assunto.


 


 



"Subscrevi um pequeno texto (contra a avaliação de docentes enquanto mistificação) que tem gerado alguma polémica no seio da justa luta dos professores. A sua primeira publicação ocorreu na edição impressa do jornal público do dia 13 de Junho de 2009. Seguiu-se a divulgação pelos diversos blogues de professores e retive-me numa leitura atenta dos diversos comentários. Mantive uma silente contenção e esperei que a poeira assentasse um pouco. Já se sabe que neste tempo de turbilhão informativo e de vórtice inaudito as partículas granulosas não teimam em regressar ao sossego; e o meu cérebro exige-me disciplina.


 


Talvez nem perca muito com esta decisão. Se for penalizado é algo que só a mim me diz respeito. De pouco me vale invocar os valores monetários que fui desperdiçando ao longo da vida em nome da coerência de ideias ou de atitudes. Os que me conhecem sabem que sou tolerante e diplomata, mas que também me regulo por uma firme e determinada exigência individual com total respeito pelas posições dos que convivem comigo. Não adiantaria invocar, ainda, outros momentos da minha vida onde algo de semelhante aconteceu; e nem sempre venci.


(...) Subscrevi o texto em causa por solidariedade com quem o fazia, com a intenção de o fazer quase sempre às causas e aos amigos e para reafirmar a coerência em não participar na mistificação em que se inscreve o actual modelo de avaliação. Transmiti isto aos meus colegas assinantes. 


 


Sei que posso parecer exorbitante com isto que estou a escrever. Mas é assim. E nada mais acrescentarei no domínio das minhas circunstâncias individuais. Nem herói nem mártir como sempre fiz questão de afirmar.


 


Tenho, naturalmente, muito mais palavras para escrever sobre a auto-avaliação em termos técnicos, políticos e jurídicos. Darei conta de tudo isso quando os meus critérios julgarem oportuno."


 


Adenda às 23.55: informam-me que a Ana Lima retirou o post.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

manifesto - a escola não pode esperar mais

 


 


Por iniciativa do Movimento Escola Pública Igualdade e Democracia, publico e subscrevo o manifesto que pode ler a seguir.


 



 


A escola não pode esperar mais.


 


O actual modelo de avaliação de professores e a divisão arbitrária da carreira em duas categorias criaram o caos nas escolas. A burocracia, a desconfiança e o autoritarismo jogam contra a melhoria das aprendizagens e contra a dedicação total dos professores aos seus alunos. Quem perde é a escola pública de qualidade.


 


Este ambiente crispado e negativo promete agudizar-se nas próximas semanas. Com efeito, até ao dia 31 de Outubro, se até lá nada for feito, as escolas estão obrigadas por lei a fixar o calendário da avaliação docente para o ano lectivo que agora começou. Pior ainda, sucedem-se os Directores que teimam em recusar avaliar os docentes que não entregaram os objectivos individuais, aumentando a instabilidade e a revolta.


 


Independentemente das alternativas que importa construir de forma ponderada, é urgente que a Assembleia da República decida sem demoras parar já com as principais medidas que desestabilizaram a Educação, sob pena de arrastar o conflito em cada escola e nas ruas.


 


Porque a escola não pode esperar mais, os subscritores deste manifesto apelam à Assembleia da República que assuma como uma prioridade pública a suspensão imediata do actual modelo de avaliação de professores, a revogação de todas as penalizações para os que não entregaram os objectivos individuais e o fim da divisão da carreira docente. Sem perder mais tempo.


 


Não podemos esperar mais. A Educação também não. 


 


 


Subscrevem:



Os blogues: A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio), (Re)Flexões (Francisco Santos), Outròólhar (Miguel Pinto), O Estado da Educação (Mário Carneiro), 
O Cartel, Octávio V Gonçalves (Octávio Gonçalves)



Os movimentos: APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), Promova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

apede toma posição sobre santo onofre

 



(encontrei esta imagem aqui)


 


 


O movimento independente de professores, a APEDE, toma posição, aqui, sobre os recentes acontecimentos em Santo Onofre.


 


Ora leia.


 


 



"(...) parece confirmar-se a demissão em bloco da CAP do Agrupamento de Escolas de Sto. Onofre, nomeada pelo ME, após ter exonerado o Conselho Executivo em funções, democraticamente eleito, e com mandato até 2010. 





A APEDE congratula-se vivamente com esta notícia que, a confirmar-se, será uma prova clara da força dos professores, da justiça da sua luta e da determinação que têm revelado, no combate às injustiças e à prepotência deste ME. Para os colegas de Sto. Onofre, as nossas maiores felicitações pois souberam lutar, dando um grande exemplo de resistência, e nunca desistiram. A APEDE esteve, desde a primeira hora, na primeira linha da denúncia dos atropelos, desmandos e ingerências cometidos pelo ME na gestão daquele Agrupamento e demonstrou, a todo o momento, a sua solidariedade para com aqueles nossos colegas. Solidariedade que hoje renova, exigindo que a democracia seja totalmente reposta em Sto. Onofre, o que terá de passar, necessariamente, pela recondução da equipa de gestão exonerada e nunca pela nomeação de uma nova CAP designada, de forma arbitrária, pelo ME.




Abraço solidário."