Repare-se na primeira página do Expresso.

E na do Público (sublinhei a vermelho).

Em adenda ao post anterior, recordo-me doutro momento de um "reformista" barrosista que teimava em situar Óbidos junto a Torres Vedras, e não a Caldas da Rainha, para uma decisão importante sobre transferência de alunos. Eliminaram os CAE´s, empossaram-se para cortes a eito, no "país de tanga", com alergia ao contraditório e "dominavam" a província a partir da capital. Iam revolucionar a rede escolar. Eram um género de profetas, espécie que fez escola nos governos seguintes. Lá entrou o sistema em autogestão para que as escolas abrissem todas em Setembro.
Tancos entrou também em pós-verdade e factos alternativos. Há militares detidos por corrupção em produtos alimentares ("num processo com meses"), mas não se relacionará com Tancos. Pode dar jeito, pode ser pós-moderno, mas é precipitada a relação. Há uns anos que "privados fazem segurança a instalações das forças armadas" (os neoliberais proletarizaram os serviços públicos e agora rasgam as vestes de indignação com a sua ineficácia), mas isso não se relacionará com Tancos. Tancos relacionar-se-á "com assaltos recentes e semelhantes em França e na Alemanha". É uma relação grave numa intolerável insegurança. Se acrescentarmos a silly season e o estado da oposição, o observador registará a chegada do "trumpismo" e omitirá o facto alternativo da "fusão ibérica da EDP". Um neoliberal suspirava: Tancos à vista.
Estive umas semanas sem telejornais e regressei ontem: abertura com a tragédia em Itália e com a violência juvenil que envolveu dois iraquianos filhos de embaixador. No segundo caso, impressiona a força de um petróleo diplomático acima da lei num país devastado pela violência.
Mas vi dois momentos de humor irresistível: Passos Coelho (PSD) e Mota Soares (CDS) irados com o caso CGD, mais propriamente com duas reduções: trabalhadores e actividade da banca pública; e Horta Osório: será uma espécie de Bava do Lloyd´s às aranhas com a reputação? Querem ver que também foi muito premiado no modelo Super Bock Prémio Dourado e que o banco está a afundar-se. Esteve uns dias a trabalhar no Oriente e apresentou despesas, profissionais que passam a pessoais numa trapalhada no modelo Galp Lusitano, de 3800 euros em massagens.
Só faltava uma notícia a anunciar a regulamentação que se segue, no jeito desastroso dos burkínis.
Luís Afonso
Os jogos são transmitidos pela RTP e pelos canais desportivos pagos. Leio críticas à programação que "deixa para os pagos as melhores transmissões". Não vou confirmar, mas é provável que discordaria. Percebe-se a imensidão de transmissões e a dificuldade em tratar todos os desportos da mesma forma. É esse o espírito olímpico e vou ficar pela RTP. Quem não tem relações privilegiadas com as GALP´s, fica pelas televisões (é risível saber que a empresa de petróleos ofereceu bilhetes para jogos de futebol). Nem sei se o escândalo da silly season lusitana estará a influenciar as audiências in loco dos jogos tal a generalização de bancadas vazias; ou com mais precisão ainda: os melhores lugares sem clientes. É um hábito antigo oferecer viagens e bilhetes para convidados. Ainda há dias uma recepcionista se admirava por pagarmos um hotel com cartão de débito e por termos apenas uma preocupação com a factura: que o hotel não fuja aos impostos. A recepcionista lá confessou: as facturas são quase todas pagas por grandes empresas. O gráfico seguinte explica alguns deslumbres e a tentativa de reposição de hábitos?
Gráfico daqui
Li e nem queria acreditar: há quem acuse o Governo de não financiar cooperativas com contratos redundantes para desviar atenções de outras variáveis críticas da escola pública. Nem sei como classificar tamanha falta de senso. O Governo revelou, neste assunto, uma coragem informada de todo inesperada e nunca li que os problemas se esgotavam aí. Se houve uma manifestação redundante por ter esse ponto como o único da agenda, o facto não responsabiliza o Governo. Estes escribas deviam falar com pessoas das escolas públicas afectadas pelos contratos redundantes e talvez pensassem antes de escrever. E não venham mais tarde com o tradicional errar é humano ou tergiversar por terem opinado em plena silly season.
Quino
É risível o "regresso", nesta altura, da Parque Escolar.SA. O montão de euros é decidido por Bruxelas, a exemplo do que aconteceu com Sócrates na desorientação europeia no pós-crise-do-subprime. As culturas pato-bravistas, partidocratas e bancocratas aceleraram a bancarrota. Depois de tudo o que se disse na campanha eleitoral anterior sobre as obras escolares, é um momento alto do ridículo que um ministro falhado, e há muito demissionário, se preste a este papel. Ainda vamos ver Crato a suspender exames que ideal(log)izou a eito e em modo industrial.
Um certo jornalismo, e uma certa direita - por que não dizê-lo? -, anda por aí a malhar nos candidatos a professores por causa dos resultados da prova de ingresso. É uma continuação da devassa inédita: não há classe profissional com um escrutínio de maldizer semelhante. Devemos distinguir: há uns cata-ventos à procura de notoriedade e há uma busca de primeira página própria da silly season; ambos são nefastos para a profissionalidade dos professores. E depois há o tal jornalismo e a tal direita. A sociedade portuguesa é um estudo de caso. Tem uns indefectíveis do arco governativo que escrutinam mais os professores do que os empreendedores e os políticos dos casos BPN, BPP, BES e por aí fora.
Encontrei um post de 5 de Agosto de 2006. Já tem quase 10 anos, veja-se lá a duração da saga.
Diz assim:
Ai se fossem três jovens universitários.
É preciso um grande descaramento para anunciar uma sociedade de pleno emprego, mais ainda num "tempo de robotização" em que o desemprego estrutural é uma legítima preocupação. Passos Coelho iniciou o mandato para além da troika e provocou uma "destruição criadora". Na área a que estou mais atento, a Educação, mentiu tanto durante a campanha eleitoral que nem nos devemos admirar com estas tiradas.
"Um congresso extraordinário sem eleição do secretário-geral", foi, segundo uma rádio nacional, a proposta que João Proença apresentou na acalorada reunião dos socialistas, hoje em Ermesinde.
Costa defende um congresso para eleger um novo líder e Seguro não. Pelos vistos, João Proença, naquela tradição de um sindicalismo tão mainstream, tão mainstream que resultou sempre num conjunto vazio tão do agrado do poder vigente que nos empurrou para o estado em que estamos, fez uma proposta risível que obedecerá a uma lógica tortuosa que o porá a salvo qualquer que seja o vencedor da contenda.
Nuno Garoupa parece que é um académico, ainda jovem, prestigiado e preside à Fundação Manuel dos Santos (vulgo Pingo Doce, para abreviar). Para Nuno Garoupa os juízes do TC cometem uma espécie de pecado original: "pensam como funcionários públicos". Ou seja, Garoupa que se preze é descomplexado competitivo, moderno e por aí fora. Esmiuçando ainda mais um bocado, imaginamos que para Garoupa um funcionário público é acomodado, falho de ambição, despreza o sector privado e preocupa-se com pensionistas.
Lembrei-me de uma história à volta das Garoupas. Apesar de ter nascido e vivido quase duas décadas a banhar-me no Índico, só pesquei uma vez e logo uma Garoupa com uns três palmos; foi à linha e na doca do Clube Naval da cidade onde nasci. A experiência talvez me projectasse para a caça aos Tubarões e para coisas igualmente grandes e temíveis. Mas não. Fiquei-me pela Garoupa e talvez isso explique o meu destino profissional: funcionário público, falho de modernidade e ambição e um acomodado; ainda acabo numa fundação.
PS: deve considerar-se que começou oficialmente o verão.
Podemos até argumentar com a silly season, mas não deixa de surpreender que a transferência de um só jogador de futebol se faça em valores que equivalem a 12 vírgula tal por cento do corte que preenche a mente dos ultraliberais: os 4,7 mil milhões da "reforma" do estado em Portugal. O capitalismo selvagem está sem freio e põe-se com estas coisas num dos países do sul da Europa que tem sido mais devastado pela corrupção.
É um economista que passa a vida a zurzir no sistema escolar actual. Antes é que era, é a regra das suas sentenças. Dirige uma universidade de formação de gestores e de economistas. Pergunta-lhe o jornalista: mas não temos um problema de gestão nas empresas? Claro, diz o economista, temos de esperar que as novas gerações, que são melhor formadas, cheguem ao poder.
Se o mercado segue as leis da oferta e da procura, a sobrevivência do produto que pode conhecer na notícia que se segue tem de reunir duas condições: que haja clientes e que a utilização seja bem sucedida. E isso tem de nos envergonhar. Ainda há dias escrevi aqui sobre o mesmo assunto.
Um livro de Barach Obama estava em cima da secretária do candidato presidencial no momento da entrevista. Para Fernando Nobre a divisão esquerda versus direita está ultrapassada e é mais um problema do que uma solução. O candidato espera ter votos de eleitores do CDS ao BE.
"Candidato acredita que com Obama o paradigma da política mundial mudou e propõe-se contribuir para que Portugal faça parte dessa nova ordem.(...)"
Imagino que não deve ser uma coisa apenas portuguesa, mas na nossa sociedade está há muito institucionalizada a cópia, a batota e a trafulhice. Cópias nos testes e exames, trabalhos de avaliação plagiados, bocados de texto citados sem a devida referência e por aí fora são hábitos enraizados no nosso sistema escolar e na nossa vida pública. Quem disser que o que escrevi não é bem assim, está muito distraído ou tem outro interesse qualquer nessa negação.
Não advogo um qualquer Priorado de Sião regenerador nem sei muito bem como acabar com esta praga. E não tenho qualquer problema com o habitual olha-me este armado em sei lá o quê.
Vem isto a propósito de duas notícias do dia. Uma refere o facto de um grupo de jornalistas afirmar que conseguia comprar um porta-folhas para avaliação no 12º ano das novas oportunidades por 400 euros. É grave. Mas o que gostava de saber é se esse porta-folhas seria suficiente para certificar alguém. Se assim é, a coisa é duplamente grave. O outro assunto prende-se com mais 250 mil computadores Magalhães para os alunos do primeiro ciclo. Nesta altura e sem qualquer avaliação do que foi feito com o programa anterior, dá ideia que há por aqui uma qualquer intenção de má propaganda.
Os movimentos de terraplenagem na rede escolar continuam com desplantes consecutivos. O planeamento e a prospecção são palavras vãs. Estamos a meio de Agosto e uma das confederações de encarregados de educação diz que ainda há tempo para corrigir não sei o quê. Mas o melhor mesmo é ler, aqui, as referidas declarações.
Vale tudo, realmente. É o tradicional salve-se quem puder.
O presidente da Câmara da Covilhã diz, aqui, de sua justiça:
"COVILHÃ NÃO VAI ENCERRAR NENHUMA ESCOLA
A Covilhã foi um dos concelhos que mais contestou a intenção de encerrar escolas e conseguiu que as seis escolas em risco continuem a funcionar. 'Isto significa que a câmara tinha razão quando se bateu pelo não encerramento', disse o presidente da Câmara Carlos Pinto, que ontem à tarde, antes de a lista definitiva ser conhecida, ameaçara, em declarações ao CM, 'colocar os alunos em colégios privados a expensas da câmara'.
Carlos Pinto garantiu que as escolas em causa não irão funcionar apenas mais um ano por autorização especial. 'Não fecha nenhuma escola na Covilhã e ponto final. No futuro ver-se-á o que vai suceder', disse, acrescentando: 'Não é uma vitória minha. Prevaleceu o bom senso. Vale a pena sermos determinados'."